um meu caríssimo amigo casa no próximo fim de semana. a primeira vez que falámos nisso, apresentou-me a situação duma maneira completamente descontraída e simples, como só (ou quase só) um homem consegue fazer.
ele: aceitavas assinar o meu registo de casamento?
eu: vais casar e queres que eu seja a madrinha do teu lado?
(ainda não tive o prazer de conhecer a noiva por causa de muitos quilómetros que nos separam, então ela de certeza não podia querer ter-me por madrinha)
ele: vou. quero.
eu: bem.
ele: então vais ter de vestir roupa coral.
| a minha bóia salva-vidas |
ele: é a cor principal do casamento.
eu: o quê?
(já tenho poucos conhecimentos na matéria de casamentos, porque é algo que nunca ficou na minha lista de tarefas para esta vida; mas tenho ainda menos conhecimentos na matéria de pedidos absurdos)
ele: pois...
eu: foste tu que inventaste essa cena?
(...)
eu: é obrigatório?
ele: não vou insistir.
regra geral, tenho problemas com fardas. e códigos de vestuário. ir a contracorrente é sempre um prazer. gosto imenso. isto, acrescentado ao facto que sou bastante insubordinada, faz com que não use coisas de que não gosto. e a roupa nem reflete quem sou, nem as minhas competências profissionais, então não percebo muito bem a importância disso tudo. ninguém me vai fazer crer que a felicidade duma pessoa possa depender da cor do meu vestido. além disso, acho que para se ter um bom aspecto/ser sensual/transpirar charme precisa-se de estar confortável e fiel a si mesmo. não tenho nada contra o facto de agradar às pessoas, sobre tudo quando são queridas. mas dentro do razoável. e não consiga encontrar nenhuma razão viável que fizesse encaixar a cor da minha roupa neste razoável. por isto, eu de coral, não é exequível.
mas para fazer prova de boa-vontade, decidi investir num acessório coral para fazer ressair o azul-marinho do meu vestido. como vem com cinto, optei por encontrar um coral. tenho muito pouca prática na compra de acessórios, porque sou minimalista, então já posso dizer que é uma façanha. fui a um milhão de lojas. cintos não parecem estar de moda neste verão. ou não há de todo na colecção ou são alegremente pretos e castanhos. e com adornos horrorosos. depois de duas horas abandonei a ideia.
mas a frustração e o cansaço dissiparam-se como por magia quando uma amiga se ofereceu para me emprestar um cachecol coral. pelos vistos, uma fracção infinitesimal da minha felicidade (a de já não ter de percorrer uma infinidade de lojas à toa e em vão) depende da cor, não do meu vestido, mas do meu cachecol. paciência!