terça-feira, 31 de julho de 2018

os pontos nos i

a maioria das pessoas não entende quanto trabalho dá para se chegar aos resultados desejados. mesmo que pareçam muito simples. perde tempo a pensar o que fazer. a analisar detalhes. a querer sempre mais informação, mais parâmetros, mais precisão. a atrasar a decisão. a perguntar-se o que é mais importante. a não saber por onde começar. as opções parecem demasiado complicadas. e a espera se calhar podia trazer uma mais fácil. a acabar por ser paralisado por isso. a preferir ficar pendurado do que cometer um erro, hesitar do que descobrir, ponderar do que saber ao certo. o pior é que depois ficam surpreendidos ou dececionados por não chegarem onde querem... não percebem como aconteceu porque levou tanto trabalho, tempo, energia e esforço...

são cinco minutos. e vinte anos de prática.
enquanto, na verdade, não alcançam os objetivos só porque fazem uma parte infinitesimal do que precisa ser feito. pensam mexer-se muito a fazer o estrito mínimo. têm a impressão de se dedicarem completamente quando nem sabem o que essas palavras significam exatamente. não estão prontos a sacrificar o conforto quotidiano. o tempo dedicado a merdas.  as pulsões do ego.  acham as pessoas que conseguem atingir o que querem extremamente talentosas. com mais sorte. ou com outra explicação mágica do êxito. dizer-se que não há magia nenhuma seria admitir que não fizeram algo certo. que negligenciaram. que falharam. seria o fim do mundo.

o outro problema é que essas pessoas também parecem confundir o honesto com o ofensivo. quando se lhes diz que não deram 100% ficam ofendidas. passivo-agressivas (uma das coisas que mais detesto...). chateadas. não veem que vai contra um qualquer progresso. que para avançar é preciso ser humilde e engolir as circunstâncias da vida. ficar cego perante tudo o que não importa. sempre a fazer mais. a esquecer-se de muita coisa que não importa na altura dada. a ignorar dececionamentos. a concentrar-se no objetivo sem contar ou medir o que não funcionou. sem se desencorajar. a não levar nada à peito. a não ser que seja a vontade de  ter êxito.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

novidades

tempestades aparentes
não sei se já adquiri completamente, mas pelos menos acho que estou adquirindo, uma capacidade nova. a de olhar de fora para a minha vida nas alturas em que a única coisa que me apetece realmente fazer é rebentar tudo. reagir rápido para ter mais a impressão de estar no comando das coisas. queimar todas as pontes. avançar sem olhar para trás. mandar todos foder. arrasar a saber quanto vai magoar depois. encontrar culpados. desfazer-me de tudo o que cause transtornos. que complique. que desligue esperanças.

agora consigo não estragar nada. não destruir nada. dispo-me das emoções avassaladoramente negativas. tiro-as cuidadosamente. pouso ao meu lado. observo-as. vejo-as tremer. palpitar. sem ligar. é como se não fossem minhas. como se eu não me identificasse com elas. como se não houvesse urgência nenhuma. como se nada importasse. como se nada me pudesse chatear. não estou a dizer que isso não me custe. que os pensamentos antigos não me passem pela cabeça. que a tentação de cair neles mais uma vez não seja imensa. e às vezes mesmo caio durante uns segundos. era muito mais fácil assim... mas decido passar a outra coisa porque já consigo ver nas minhas inseguridades emocionais. encontrar um caminho no labirinto das deceções. navegar sem bater em nada. apagar o sal das lágrimas passadas sem o sentir na boca.

desenho um traço firme entre o passado e o presente. entre a criança e o adulto. entre a ilusão e a realidade. entre a paixão e o juízo. entre a chamada do inconsciente e o consciente. entre o veneno e o antídoto. entre o grito e o silêncio. não questiono nenhum fundamento. não procuro falhas. não me esqueço do essencial. faço uma pausa de mim. das minhas emoções e raivas. pego nelas. examino-as meticulosamente. apalpo-as. peso-as com a mão. acaricio-as para que se lhes passem os medos. as angústias. as tristezas. as fracturas. os desapontamentos. as cicatrizes.

já valorizo umas coisas mais do que o facto de eu ter razão e não quero pôr tudo em risco. já aprendi a apagar certos pontos de interrogação quando a minha intuição não os ditava. já me sinto responsável pelas minhas escolhas. já não recuo a mentir-me que estou a avançar.

assumo-me. muda todas as perspetivas.