quinta-feira, 14 de novembro de 2019

como o vinho do porto...

... quanto mais velho melhor...
ser maduro é difícil. pelo menos durante os primeiros vinte anos de prática. se calhar depois as coisas tornam-se finalmente mais fáceis, mas como ainda lá não cheguei, não tenho a certeza. é uma suposição que estou a fazer a olhar para as pessoas (poucas) maduras (emocionalmente) em volta de mim. para elas é algo que fazem com uma graça e uma delicadeza quase inatas. uma destreza a navegar entre escolhas duvidosas. uma acção certa. e uma tranquilidade desconcertante. como se não lhe custasse nada. como se não requeresse nenhum esforço. nenhuma disciplina. nenhum transtorno interior. como se fosse algo óbvio e inquestionável que se impusesse por si próprio. talvez seja.

as minhas tentativas de maturidade são um campo de batalha. na minha cabeça, claro. um estado de confusão total (ou quase total). uma série de explosões violentas que consigo conter, mas só depois de terem acontecido. um primeiro reflexo a querer mandar tudo e todos foder. a ser agressiva e a reagir de maneira assertiva. a queimar pontes. a dizer exatamente o que penso. a fazer exatamente o que me apetece, no calor do momento. a querer desfazer-me das emoções (e só consigo exprimindo-as, de preferência a confrontar as pessoas) o mais rápido possível. não há espaço para a ponderação, para a compreensão, para a calma. é tudo ou nada. não sou alguém que faz as coisas pela metade ;) a única coisa positiva é que já consegui limitar tudo isso à minha cabeça. é que antes eu executava e rápido, eheheh...

quando o furacão afrouxa minimamente, olho para os desgastes emocionais temporários. de fora. examino as consequências. quase nunca tal como queria. levam-me por caminhos que não chegam aos objetivos que me interessam. trazem perdas que não quero sofrer. activam espirais negativas. escondem a verdadeira natureza das coisas. tapam o essencial. é só nessa altura que consigo realinhar energias e estratégias. perceber que não posso seguir as impulsões primárias. não posso acreditar nas minhas sensações do momento, porque não são verdadeiras. não correspondem à realidade. segui-las custava-me demasiadas coisas valiosas. demasiado tudo. na matéria de maturidade emocional sou uma principiante. e por enquanto é difícil imaginar eu um dia conseguir dominar-me o suficiente para o processo todo se tornar minimamente penoso e confuso. se calhar sou feita assim. a maturidade é o que vem depois dum combate com os meus demónios pessoais. paciência... pelo menos tenho a sorte de o poder fazer ;)