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sábado, 27 de agosto de 2022
vibrações
sexta-feira, 19 de agosto de 2022
cebolas
contrariamente às aparências, globalmente, não gosto de relações que se fazem num instante. à velocidade máxima. sem cinto apertado. a saltar as etapas todas. a tornar tudo demasiado intenso. em demasiado pouco tempo. a passar de nada para tudo. do silêncio para uma cacofonia de emoções. da tepidez para a queima. do desconhecimento para a intimidade. em que se despe tudo duma vez. sem ficarem mistérios. nem segredos. nem desconhecidas. nem curiosidades. nem surpresas. tudo exposto. servido num prato só. quando não é preciso fazer esforço nenhum. compromisso nenhum. quando não sobra mais nada para se descobrir. não vejo piada nenhuma nisso. e se já se foi ao fundo no início qual era o motivo para ficar?
não me percebam mal, e bem sei que é uma dualidade e paradoxo que, se calhar, só consegue funcionar na minha cabeça e não faz sentido para ninguém de fora. paciência. vai continuar assim. porque não é que não gosto de saltar etapas. de me relacionar muito rápido. de fusionar sobre temas comuns sem barreiras. sem não ditos. sem esconder nada. de fazer coisas intensas. de dar um mergulho na intimidade com alguém que acabei de encontrar cinco minutos antes. é muito engraçado. e divertido. muitas vezes é mais fácil falar de coisas intrínsecas e profundas com desconhecidos que não nos vão julgar a través do que já sabem sobre nós. mas para mim, e só o percebi agora, esta impetuosidade é uma maneira de sondar a grandeza potencial dum relacionamento. uma maneira de antecipar como vão ser as coisas. até que ponto de entendimento ou de cumplicidade podemos chegar. mas uma vez que já tenho uma ideia, quero retroceder.
não me interessa saltar todas as etapas duma vez. matava todo o encanto. quero levar tempo. esperar. conhecer. descobrir o significado da paciência. despir camadas na ordem mandada pela lei. uma de cada vez. e com pausas. proporcionar. criar laços. domesticar. cumprir rituais. ter saudades. aprender a valorizar. regar a relação. ver a pessoa tornar-se especial. fundir-se cada vez ainda mais. descobrir coisas sobre mim no processo. verificar o que continua a ter mais valor para mim. ficar sempre curiosa. sempre ávida. sempre surpreendida.
acho que é um elemento, uma face da minha personalidade, que apanha quase todos os recém encontrados desprevenidos. pareço não cumprir as expetativas. pelo menos a ver a zanga ou a desconcertação do pessoal. mas assumo sempre e nunca escondo quando dou a volta para trás. bem sei que deixo a impressão de ser completamente extrovertida. e sou-o. mas só em certas áreas. e só durante uns momentos. quando passam prefiro dar-me ao trabalho para conhecer a pessoa. saborear os momentos. prosseguir lentamente. porque um caminho, quando já se o conhece de antemão e não reserva nenhuma surpresa, nem vale a pena ser apanhado. para quê quando já se sabe tudo?...
terça-feira, 9 de agosto de 2022
ponderações
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