segunda-feira, 28 de novembro de 2016

errar?

uma questão de ponto de vista
alguns vêm na vida um série de oportunidades falhadas. de obstáculos. de nuncas. de solidões. de quedas. de medos. de decisões infelizes. de acontecimentos irreparáveis. de resignação que acaba por sempre reinar. de erros que só se multiplicam. de planos inexequíveis. de sonhos abandonados. de insucessos. de mudanças forçadas. de imposições que só trazem deceção. desilusão. desânimo. desassossego. dor. passam o tempo a lamentar que se soubessem, fariam as coisas diferentemente. mas então como se faz para saber?

poucos dão-se conta do facto que as notas falsas não existem em absoluto. e que cada uma pode ser transformada numa verdadeira. que temos sempre a hipótese de nós adaptar. de improvisar. de mudar de planos. e de enfoques. de descobrir coisas novas. mundos novos. eus novos. de se esquecer da perfeição. de não ter vergonha de falhar. de não fazer o suficiente. ou o certo. de descobrir as delícias da serendipidade. de errar constantemente sem nunca realmente conseguir.  mas a ter a força de o reconhecer e de querer transformar a nossa relação com a vida. infinitivamente.

é uma sucessão de glórias e de derrotas que é preciso acolher com humildade e paixão. sem arriscar, sem se atrever, perdemos tudo. o nosso motor, o verdadeiro, que nem se consegue vender nem comprar, é essa felicidade que não se encontra nem nos média nem nos livros. que nem é trazida pelo dinheiro nem pelas aparências. a que só dura migalhas de segundos, mas que volta com muita frequência. e que não conhecem as pessoas que nunca falharam. porque é preciso tocar em muitos fundos para a descobrir. e ter sucesso.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

(de)limitações

estou a ter dois flashbacks.

tenho 23 anos. na universidade tenho um amigo com má reputação entre as raparigas. ouço muitas dizer que lhes dá palmadinhas no rabo ou faz propostas explicitas e indecentes. que é pouco delicado, muito avaro e tenta tudo com todas. mas eu não sei nada disso. ou seja, tecnicamente sei que é a imagem que todas têm dele. mas ele nunca me trata desse modo. é sempre extremamente atencioso e cuidadoso, quer pagar por tudo, temos conversas profundas e nunca nem diz uma palavra nem faz um gesto a mais.

tenho 32 anos. outra universidade, outros estudos, outra vida. estou a tirar um curso de critical reading and writing que é obrigatório para todas as pessoas no primeiro ano de universidade nos estados unidos. e também pelas pessoas que lá estudam pela primeira vez, independentemente do ano de estudos. há quatorze americanos de dezanove anos e eu. na primeira aula temos de dizer o que achamos da pessoa sentada ao nosso lado e que não conhecemos. estou a usar óculos vermelho escuro. o rapaz sentado à minha esquerda diz que pareço ser alguém extremamente tranquilo e calmo. mas que é melhor não se meter comigo. eheheh...

quando as pessoas se queixam porque outras as tratam mal, não tenho pena delas. nenhuma. somos nós que decidimos como nos deixamos tratar. que estabelecemos as fronteiras do nosso tolerável. que dizemos quais são as nossas expetativas. que primeiro escolhemos respeitar a nós próprios e só depois às outras pessoas. que falamos quando não gostamos de algo. que valorizamos quem somos. tudo isto transparece nas nossas relações. não se abusa imediatamente duma pessoa. começa-se por tirar pequenas migalhas. com o consentimento da pessoa a quem se os tira. e depois pedaços. é nessa altura que o espanto e a incompreensão começa. como foi possível? como aconteceu?

aconteceu porque deixamos. e quando deixamos não há razão nenhuma para ficarmos surpreendidos com os tratamentos de merda que recebemos. 

domingo, 6 de novembro de 2016

e de energia

moderation is a fatal thing. nothing succeeds like excess. oscar wilde

dar o 100%
não sou alguém que se pode chamar de espiritual. para acreditar em coisas, preciso de provas tangíveis. e experimentar sozinha. não confio o suficiente no julgamento das outras pessoas. nem nas opiniões delas. se calhar nem acredito de todo. o facto que algo funcione para outrem não significa que vai funcionar para mim. ou que eu queira experimentá-lo. sou eu que me conheço melhor. os destinos nem me aquecem nem arrefecem. eu sei o que faz sentido para mim e o que não. creio mais no trabalho duro. na força da mente para ultrapassar os obstáculos. na falta de limites. na minha intuição. e na minha capacidade de discernir a realidade.

no entanto, durante muito tempo fiquei surpreendida quando as pessoas comentavam o meu nível de energia. a dizer que se sentiam cansadas só de olharem para mim. a verdade é que não tenho a impressão de ser tão excecionalmente energética. acho que é mais o facto que não preciso de fatores externos para me motivar. nunca percebi porque é que as pessoas precisavam fazer coisas, tipo aulas, em grupo para não abandonar. ou porque não compravam chocolate para não terem a tentação de o devorar. quando não quero comer algo, não como. mesmo que esteja em frente de mim. não percebo a ligação. nem o problema... e quando quero algo, nem um milhão de nãos me desencoraja. e dou sempre o máximo de mim. não sei fazer de outra maneira.

mas como opero com esses níveis altos de energia (e que me questiono constantemente, a tentar perceber as razões atrás das minhas decisões) reparei que me chegava pouco para os fazer aumentar ou diminuir. e que ambos tinham consequências tremendas. e estavam relacionadas com pessoas. quando passo tempo com as que são tão arrebatadas como eu, o meu cansaço ou um qualquer outro desconforto físico (tão absurdo como isto pode aparecer) desaparece. sinto-me pronta (e com vontade) para mover montanhas. e fico ainda mais entusiasmada. quando passo tempo com pessoas tóxicas, as que julgam, ficam com ciúmes, acham que têm o direito de mandar, impor ou que sabem tudo, esgota-me completamente. até eu ficar fisicamente exaurida. algo que não consigo controlar de todo... mas felizmente, aprendi a reconhecê-las rapidamente e a evitá-las a todo custo. simplesmente porque não preciso dessa negatividade na minha vida.