não sou o meu corpo, não sou o meu nome, não sou esta idade. não sou o que tenho, não sou estas palavras. josé luís peixoto
| parece mais prudente nunca acreditar nas aparências... |
e o que lhes dá toda essa autoridade? uma imagem furtiva que projeto? aparências nas quais acreditaram? palavras às quais associaram sentidos figurados? ares que leram à letra? conclusões às quais chegaram sem se questionarem a si próprios? sentiram-se tão ameaçados que a única solução foi diminuir-me a algo que conseguiriam dominar e gerir? para se sentirem contentes da vida de merda que têm? detesto ser limitada por padrões. rotulada em função dos complexos e das inseguranças da pessoa que me avalia. fechada em gavetas. reduzida a preconceitos. julgada pelo que parece óbvio, mas não é. apagada traço por traço para caber num molde. no molde.
deixa-me sempre com a vontade de lhes explodir na cara. para verem até que ponto erraram. mas não o faço. dá-me completamente igual. podem pensar o que lhes apetecer. não me tenciono justificar. acho alucinante que nunca lhes venha à ideia que seja intencional. que a enganar as pessoas me dá sempre a opção de as surpreender. de as apanhar desprevenidas. de as descobrir sem que saibam quem sou. de reparar nos seus pontos fracos. de testar a sua mesquinhez e a sua pobreza intelectual. de ver quanto se acham valer. quanto estão dispostos a se prostituírem. é um processo enriquecedor...
sei muito bem o que pareço. vinte e cinco anos. sexualmente acessível. livre de princípios. calma. ingénua. a precisar ser aconselhada. dificilmente podia-se ter uma imagem mais errada de mim. mas sou eu que escolho com quem me apetece jogar com as cartas abertas. e com quem não.
