quarta-feira, 28 de junho de 2023

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há umas coisas sobre as quais nunca faço perguntas. quanto dinheiro as pessoas fazem. se têm filhos. porque é que ficam em relações de merda. curiosamente, pergunto sempre sobre a idade. o que supostamente não se faz. um crime de lesa-majestade. mas acho a idade neutral. um elemento que não reflete as nossas escolhas de vida. não ingere de nenhuma maneira na nossa intimidade. não revela mais do que queremos revelar (e às pessoas que acham que revela, só lhes posso responder que existem especialistas que tratam dos problemas da cabeça. é um número que não significa grande coisa). e lembro-me sempre melhor dos números do que dos nomes, das palavras ou das caras, então a idade é um parâmetro que sempre me deixa afixar melhor a pessoa na cabeça.

o dinheiro, os filhos e as relações já são coisas que considero muito mais íntimas. que quase todos cobiçam. ou ambicionam. pelo menos até a um certo ponto. mas nem todos conseguem. ou nem todos conseguem como queriam. ou no momento que queriam. o que torna os assuntos mais delicados. emocionalmente frágeis. com uma carga de vulnerabilidade que pode deitar abaixo. decompor. destabilizar. e nunca se sabe por onde é que fica o ponto de ignição. nem em que área nem a que nível. então acho mais prudente não abordar estes assuntos de todo. para não empurrar as pessoas para fora das zonas de conforto. 

regra geral, acho que as relações se fazem às velocidades ditadas pelas pessoas dos dois lados. contam o que querem. quando querem. e até ao ponto que querem. não dá para precipitar nada. nem para saltar etapas sem o consentimento do nosso interlocutor. nem forçar a compartilhar o que não está a ser dito. e quando as pessoas não contam, na maioria dos casos, o problema não são elas, mas nós. há coisas que não estamos a fazer bem para a pessoa se sentir completamente à vontade. ou avaliamos mal o lugar em que está a relação e ficamos à espera de coisas que não proporcionam à situação. são sempre alturas em que é preciso questionarmo-nos. perceber em que parte somos responsáveis pela situação. onde não correspondemos às expetativas. quais podem ser os medos e as dúvidas do outro lado. a única coisa que se pode fazer é ser paciente. não levar nada a peito. e ficar grato quando a pessoa acaba por se abrir. a confiança é algo que se ganha e que se merece. ou não.