segunda-feira, 23 de novembro de 2015

por falta duma melhor ideia para passar a tarde

li hoje um artigo sobre um homem acusado de pedofilia que se fazia passar por
coisas que surpreendem...
adolescente de 17 anos e conseguia convencer raparigas de 13-15 anos encontradas nas redes sociais para se despirem em frente do computador e se dedicarem a 'outras atividadas sexuais' (sempre me tenho perguntado o que este termo significava exatamente). ah, e tudo isso em mais ou menos 48 horas desde o primeiro contacto. disseram que esse tempo era suficiente para as raparigas já desenvolverem sentimentos pelo tal rapaz. assustador, não é? é difícil dizer que parte assusta mais.

não sei de quanto tempo era preciso para um desconhecido me convencer a despir-me em frente dum computador, mas de certeza nem 480 horas chegavam (e acho que nessa altura a pessoa já se tornava mais conhecida de que desconhecida, então não contava realmente). e isto não só por eu não fazer parte de nenhuma rede social. nem por ser particularmente pudica. simplesmente, há coisas que não se fazem por amor próprio e vontade (ou necessidade) de não se tornar completamente vulnerável (ou mandar foder a sua vida). também por saber onde se colocar limites.

as adolescentes de hoje em dia parecem não ter amor e carinho. pedem a desconhecidos fortuitos confirmação do seu valor. e acedem a fazer tudo ou quase tudo para se sentirem aceites, valorizadas, bonitas, queridas etc. é uma coisa de adolescente (com a exceção que eu passei por essa etapa muito mais cedo e a chegar aos 16 anos percebi que já não precisava que ninguém me confirme nada, mas eu nunca faço as coisas como manda a lei porque é demasiado chato). mas é também uma coisa da sociedade virtual em que vivemos. sem contacto directo, tudo parece muito menos ameaçador. faz-se coisas extremas. salta-se etapas. desnua-se fisica e mentalmente. não se escuta a voz da razão. nada de mau pode acontecer. nada é palpável. parece sempre haver uma tecla delete que permite apagar a realidade. e recomeçar do zero.

mas não há. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

rodeada por só mulheres...

... há erros a não dar e gafes a não cometer:

além da menstruação e das mamas, há
poucas coisas que temos em comum
1. chegar de saltos altos e vestido curto enquanto todas estão de sapatos rasos e 80% delas têm pelo menos vinte quilos a mais

2. parecer ter 20 anos a menos que todas enquanto só se tem 10 

3. recusar-se a mostrar a carta de condução quando todas querem comprovar a idade acima mencionada

4. comer lasanha de carne enquanto quase todas são vegetarianas

5. não querer falar de manicuras, tratamentos, produtos e não sei o quê durante mais do que um minuto

6. não fingir interesse quando elas louvam os méritos dos filhos e contam as viagens dos maridos

7. dizer que não se quer comprar o mesmo tipo de casaco que elas já têm numa das lojas supostamente mais cobiçadas da cidade

8. falar pouco por achar propósitos fúteis e superficiais uma perda de tempo

9. ficar com um ar espantado ao vê-las entusiasmar-se, gritar, arrebatar, beijar objetos, extasiar-se, tornar-se muito verbal a jogar um jogo onde o nível intelectual requerido deve ser o duma criança de cinco anos

10. sonhar com uma coisa só - conseguir sair de lá tão depressa quanto possível

alternativamente, pode-se também não socializar com mulheres, o que parece muito mais simples. não me lembro quando foi a última vez que me tinha sentido tão fora do lugar, então é realmente a evitar.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

conversas absurdas

às vezes, quando escuto as conversas das outras pessoas às escondidas ou por acaso, digo-me que devo vir dum outro planeta. hoje:

1. o rapaz francês na mesa do lado estava a responder, num inglês com sotaque que apontava para a nacionalidade dele, a perguntas, feitas por duas raparigas, sobre todas as companheiras sentimentais e sexuais que teve.

2. as raparigas a provar a roupa na cabina ao lado da minha estavam a debater se uma delas podia comprar umas calças porque não sabia que maquilhagem e acessórios ia poder usar com essas calças. 

3. no mercado do bairro, duas velhinhas estavam a insultar-se porque não conseguiam concordar sobre qual tinha chegado primeiro à fila.

nesta última situação já não consegui aguentar o absurdo. nem reter-me. voltei-me e perguntei às duas senhoras se realmente não tinham outra coisa para fazer do que poluir verbalmente o ambiente por um tal pormenor. como estava de chinelos, mini-vestido e casaco cor-de-rosa fluorescente e que todos já estavam a escrutinar-me com uma mistura de incompreensão e apreensão, acho que por uma vez teve algum peso - ambas as senhoras calaram-se. consegui passar o resto da minha estadia na fila num silêncio quase absoluto. que bom!

domingo, 8 de novembro de 2015

no telefone

sou muito má para responder aos números que não conheço em geral. mas ainda mais nos fins de semana. considero que se alguém não me conhece, não tem motivo nenhum para me chatear a cabeça. não faço parte duma lista de doadores de órgãos então não tenho nenhuma obrigação moral para responder no meu tempo livre. mas como ontem alguém passou o dia a telefonar com muita insistência e continuou hoje, acabei por atender.

eu: sim?

ele (pelos vistos decepcionado porque o meu sexo, idade aparente ou timbre não encaixou nas expetativas): eheheh acho que liguei um número errado.

eu: acha?

ele: pois... acho. a senhora mora no número 36 da rua x?

(pelos vistos alguém lhe deu o meu contacto, porque é a rua onde moro)

eu: e tem o meu número de telefone apontado no número 36?

ele: não.

eu: se calhar é porque moro no número 38?

ele: sim! quando é que posso passar aí?

eu, bastante divertida pela pergunta: nunca. não se apresentou. não me disse porque é que estava a ligar, nem porque está a fazer todas essas perguntas, então de certeza não há nenhum plano para nosvermos.

ele: quero controlar a central de gás.

eu: então desculpe. esqueci-me de ligar a minha função de clarividência antes de atender o telefone. e não lhe ensinaram a dizer bom dia e apresentar-se?

(...)