ultimamente, na fila num café, o homem à minha frente levou alguns bons cinco minutos a ouvir, descontente e insatisfeito, mas com uma atenção religiosa como se o futuro da humanidade dependesse dessa decisão, as numerosas opções de bebidas. e acabou por pedir ... um chá sem chá, algo que nem fazia parte da lista enumerada. e que, claro, não havia. a consternação dele chegou ao seu cúmulo. perdeu todos os pontos de referência. ficou ultrapassado pela realidade. já não sabia o que dizer. até não havia mais nada para dizer. foi apanhado desprevenido. ficou angustiado, frustrado. escolheu afogar-se numa pequena colher de água. e conseguiu.
muitos são os que o conseguem. entram em pânico por um nada. tropeçam em problemas que criam sozinhos. escondem-se debaixo de mesas a esperar não serem vistos, num surto de ingenuidade infantil. lamentam perdas insignificantes. abandonam sem refletir. fingem não saber o que se lhes quer. desmaterializam. desvanecem. perdem interesse. falam com rodeios. não respondem. agem por omissão (acho que há poucas coisas bem piores). tornam-se incoerentes. inventam tretas para ganhar tempo. não respiram. deixam para mais tarde. levitam num tempo morto a achar que é o que lhes vai salvar.
para quê todo esse circo? para evitar tomar decisões. o mal supremo. quando apresentam o a e o b, a melhor escolha é simplesmente não escolher. escolher é difícil. leva consequências. responsabilidades. pensamento. maturidade. muda tudo. se calhar a não escolher evita-se a escolha mesma. deixa-se a vida decidir por nos. pelo menos espera-se que isso aconteça, porque tornaria tudo mais simples. a decidir, poder-se-ia provocar o fim do mundo. ou pelo menos das coisas conhecidas. precisar-se-ia sair da zona do conforto. andar no desconhecido. que horror.
não percebo é porquê. já não temos influência em tudo, porque não a exercer quando for possível? porque não optar por algo, só para poder avançar? descobrir? melhorar? erros são inevitáveis. mas também se tem sempre a hipótese de mudar de opinião. de querer outra coisa. de escolher outra vez. de aprender com o erro. muitas vezes, são decisões que quase não têm impacto nenhum, não é que, cada vez, alguém esteja a querer passar a vida connosco e a nos pedir em casamento. e mesmo se for, divórcios existem.
o pior que se possa fazer, é não decidir.
muitos são os que o conseguem. entram em pânico por um nada. tropeçam em problemas que criam sozinhos. escondem-se debaixo de mesas a esperar não serem vistos, num surto de ingenuidade infantil. lamentam perdas insignificantes. abandonam sem refletir. fingem não saber o que se lhes quer. desmaterializam. desvanecem. perdem interesse. falam com rodeios. não respondem. agem por omissão (acho que há poucas coisas bem piores). tornam-se incoerentes. inventam tretas para ganhar tempo. não respiram. deixam para mais tarde. levitam num tempo morto a achar que é o que lhes vai salvar.
para quê todo esse circo? para evitar tomar decisões. o mal supremo. quando apresentam o a e o b, a melhor escolha é simplesmente não escolher. escolher é difícil. leva consequências. responsabilidades. pensamento. maturidade. muda tudo. se calhar a não escolher evita-se a escolha mesma. deixa-se a vida decidir por nos. pelo menos espera-se que isso aconteça, porque tornaria tudo mais simples. a decidir, poder-se-ia provocar o fim do mundo. ou pelo menos das coisas conhecidas. precisar-se-ia sair da zona do conforto. andar no desconhecido. que horror.
não percebo é porquê. já não temos influência em tudo, porque não a exercer quando for possível? porque não optar por algo, só para poder avançar? descobrir? melhorar? erros são inevitáveis. mas também se tem sempre a hipótese de mudar de opinião. de querer outra coisa. de escolher outra vez. de aprender com o erro. muitas vezes, são decisões que quase não têm impacto nenhum, não é que, cada vez, alguém esteja a querer passar a vida connosco e a nos pedir em casamento. e mesmo se for, divórcios existem.
o pior que se possa fazer, é não decidir.
