às vezes, o coração dói tanto, que não se sabe o que fazer. nem dizer. nem pensar. nem como remediar. é uma dor que se propaga do interior. invade tudo. anila tudo. silencia tudo. vibra duma tal maneira que fica ressentida em cada partícula do corpo. em cada músculo. em cada movimento a mais. e todos parecem a mais. cega os outros sentidos. de repente, perguntamo-nos como é que conseguimos respirar. se estamos a respirar mesmo. se o ar continua a preencher os pulmões ou se ficamos completamente suspensos. entre mundos. entre realidades. entre lágrimas. num lugar por pessoas que não respiram. não vivem. só existem. ou pelo menos tentam existir. a não saber exatamente o que fazer. como voltar. como deixar de flutuar. quanto tempo é que se pode lá ficar? abatidos pelo peso do firmamento. dos pensamentos. do próprio corpo. da dor. arrastados por ela do quotidiano. da paz da alma. da sensação de seguridade encontrada nos gestos pequenos. cultivada com os gestos pequenos. o nó na garganta a apertar cada vez mais. a paralisar tudo. a parecer anunciar uma explosão iminente. a pintar a cinzento o que está em volta. a pedir atenção. a controlar tudo.
como é que se foge de lá?