há uma grande diferença entre eu e as outras pessoas. em boa verdade, há muito mais do que uma. se calhar há mesmo mais diferenças do que semelhanças. ou pelo menos um número de coisas que faço de maneira completamente diferente. que penso de maneira completamente diferente. foi o drama da minha infância. o de saber que não estou a corresponder. que não vou corresponder. em adulta assumo. e adoro.
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| a melhor companhia possível |
porque não é possível compreender-se quando se está acompanhado. ou pelo menos precisa-se estar com alguém com quem se está confortável calado. e durante muito tempo. autoavaliar significa anular tudo. e marcar um encontro consigo próprio. chegar a um ponto de claridade consigo. perceber-se. desenvolver uma imagem de si que seja confiante, coerente e estável. limitar as alturas em que se é apanhado desprevenido pelas suas reações. e emoções. ver-se de fora. e duma maneira completamente diferente. uma exploração do que está a acontecer dentro de nós. uma descoberta de traços de personalidade cuja existência ignorávamos. ou preferíamos não ver. ou não nós atrevíamos exprimir. é seguir um caminho até nós. um nós que muda com o tempo. estamos (ou pelo menos eu estou) numa evolução e numa aprendizagem permanentes. mas é também por isto que é sempre um prazer encontrá-lo de novo. perceber como, porquê e até que ponto mudou. uma viagem fascinante e que nunca para. e que só pode ser realmente explorada quando se a faz sozinho.
