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| onde tudo recomeça... |
ovos fritos, mexidos ou estrelados?
segunda-feira, 30 de junho de 2025
re-inícios
quarta-feira, 10 de julho de 2024
as manhãs
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| tranquilidade esmagadora |
segunda-feira, 8 de julho de 2024
sorte?
a sorte é algo que se constrói. que se cria. que se compõe. se calhar mesmo que se provoca. é só de nós que depende se e quando ela aparece. claro que não porque temos o poder de controlar o nosso quotidiano, mas porque podemos decidir qual será a nossa relação com ele. somos nós que a definimos. os sentimentos, os pensamentos, as reações. é a pouca liberdade que temos. há sempre uma escolha para se fazer. a de levar uma vida que seja conforme às nossas aspirações. aos nossos valores. às nossas necessidades. há sempre uma maneira de encontrar significados no que nos está a acontecer. mesmo que seja completamente absurdo. que as nossas circunstâncias sejam favoráveis ou desfavoráveis, a escolha de como vamos reagir é só nossa. e se este enfoque, esta maneira de se posicionar, esta mudança do equilíbrio aparente fosse suficiente para mudar as coisas?
talvez os esforços tenham de passar por outra coisa do que a tentativa derisória de termos um impacto nas circunstâncias, no ambiente. cada prova que atravessamos é um desafio para o nosso desejo de haver sentido na vida. quando a sorte parece não estar do nosso lado, é preciso vê-lo como uma oportunidade. e não uma falha. assim vamos poder reavaliar ou questionar o nosso caminho. está certo? errado? que erros cometemos? que oportunidades não estivemos a ver? de que expetativas tínhamos ficado presidiários? o azar, uma vez que o choque inicial tenha passado, oferece sempre a ocasião de melhorar. de fazer de forma diferente. de se tornar mais criativo. de sair fora da caixa.
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| que a vida venha, me pegue pelo cachaço e me leve onde isso for conveniente para a vida |
o mais importante é deixar de esperar que algo magicamente mude a situação. que um dia tenhamos mais sorte. que as configurações divulguem elementos favoráveis. só ao abandonar essas ideias é que nos podemos comprometer de maneira consciente e lúcida na procura da sorte. sic. a sorte é algo que se procura. todos os dias. e do início. é um trabalho diário. não algo que caí do céu de vez em quando. e que está reservado para uma minoria especial. a sorte não depende de elementos externos. mas, sim, de elementos internos. o mais importante sendo o nosso nível de comprometimento.
et si la chance sourit aux audacieux, ayons l'audace de la provoquer!
sexta-feira, 5 de abril de 2024
vidas passadas
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| fazer do paradisíaco uma vida... |
no barco entre penang bai e gili air, passei a travessia a ouvir conversas que antes ressoavam muito comigo, mas das quais me tinha completamente esquecido. talvez porque não tivesse viajado a um lugar completamente desconhecido e fora da europa há uns nove anos. e por isso não fiquei exposta a esse tipo de reflexões. ou talvez porque tivesse mudado a minha maneira de pensar. ou tivesse passado a outra etapa de vida em que tais coisas já não importavam tanto... quem sabe... mas o mais importante, achei, foi que me reconheci numa parte das conversas, mas também reconheci o ponto em que divergi do caminho que mencionavam... nem sei se foi bom. ou se foi mau. mas de certeza ficou diferente.
as conversas eram entre pessoas que se tinham mudado para a ásia. de maneira temporária. ou permanente. porque estavam fartas do quotidiano ocidental. do frio. do cinzento. da ineficiência das soluções. da sedentariedade das sociedades supostamente mais desenvolvidas. da burocracia. da lentidão. do consumismo. das rotinas viradas para carreiras e dinheiro. porque queriam começar do zero. ter uma vida nova. objetivos diferentes. levar tempo ou fazer uma pausa para se reinventar. realinhar-se com os próprios valores. questionar as escolhas. ponderar as opções. mergulhar no dinamismo refrescante de melhoria constante.
acho que sempre fui sensível a tais chamadas. tenho um lado curioso, pensador e divergente que gosta de resolver uma situação de mil maneiras. e experimentar uma abordagem diária firmada em princípios diferentes faz parte delas. ao viajar muito pela ásia há uns quinze anos, perguntei-me inúmeras vezes se não devia seguir esse ritmo de vida. o de deixar tudo que parecia estruturado e no caminho do sucesso, para fazer descobertas emocionais e espirituais. na universidade quando os amigos e conhecidos faziam estágios ou trabalhavam, eu preferia viajar (também trabalhava durante os anos letivos) e conhecer mundos novos. tinha na altura a consciência das desvantagens duma tal escolha, mas a construção de carreira nem fazia parte das minhas prioridades nem dos meus interesses. estava mais virada para a minha construção como pessoa.
e continuo virada para ela. mas o que descobri entretanto é que estava também virada pelo desenvolvimento. e pela realização de objetivos. e isto não vai em par com fugas para melhores climas e explorações internas. o que não significa que vou desistir deles. só não os vou pôr no centro de tudo. há 20 anos ainda não sabia que mais cedo ou mais tarde teria ficado aborrecida com a quietude duma tal vida. e com a falta de seguimento e de progresso que vêm com vidas menos lineares. mas atenção que mais linear não significa vertical. quero avançar e fazer as coisas do meu jeito. construções mais estruturadas de carreiras ficam fora do meu campo de interesse.
no final das contas, acho que consegui modelar algo meu. tirando os elementos que me inspiravam e que julguei vitais, sem ter realmente cabido em molde nenhum. ao olhar para isto agora, faz todo o sentido. e também cheguei a perceber, que outra opção nunca houve. e não vai haver. gosto demais da minha liberdade. da autonomia. da opção de ir em contracorrente. são as coisas que mais me animam. no trabalho. e fora dele.
quinta-feira, 19 de outubro de 2023
o coração
às vezes, o coração dói tanto, que não se sabe o que fazer. nem dizer. nem pensar. nem como remediar. é uma dor que se propaga do interior. invade tudo. anila tudo. silencia tudo. vibra duma tal maneira que fica ressentida em cada partícula do corpo. em cada músculo. em cada movimento a mais. e todos parecem a mais. cega os outros sentidos. de repente, perguntamo-nos como é que conseguimos respirar. se estamos a respirar mesmo. se o ar continua a preencher os pulmões ou se ficamos completamente suspensos. entre mundos. entre realidades. entre lágrimas. num lugar por pessoas que não respiram. não vivem. só existem. ou pelo menos tentam existir. a não saber exatamente o que fazer. como voltar. como deixar de flutuar. quanto tempo é que se pode lá ficar? abatidos pelo peso do firmamento. dos pensamentos. do próprio corpo. da dor. arrastados por ela do quotidiano. da paz da alma. da sensação de seguridade encontrada nos gestos pequenos. cultivada com os gestos pequenos. o nó na garganta a apertar cada vez mais. a paralisar tudo. a parecer anunciar uma explosão iminente. a pintar a cinzento o que está em volta. a pedir atenção. a controlar tudo.
como é que se foge de lá?
segunda-feira, 17 de julho de 2023
relações fazem sufocar?
duma certa maneira fazem. mas não necessariamente. não acredito nas supostas armadilhas do quotidiano. nas coisas inevitáveis que ninguém consegue escapar. nos predeterminismos que dizem que cada relação vai passar pelas mesmas etapas. os mesmos ciclos. as mesmas dificuldades. a mesma decomposição.
são meras desculpas. é sempre mais fácil dizer que não depende de nós. que não deu. que é dos anos. do horóscopo. da fase da lua. das circunstâncias. do destino. da outra pessoa. da vida. tentar evitar essas armadilhas já seria trabalho a mais. investir esforço. lutar. não ficar desanimado. porque claro que os impulsos iniciais embotam. não podem sempre ter a mesma intensidade do que no início.
mas é onde a instituição do casal se torna fascinante. acho eu. uma personagem numa peça que li disse: quando és capaz de te disputar com alguém, o pau ao léu e uma escova de dentes na boca (quando estás tanto à vontade e que podes tomar tais liberdades), isto não tem preço. significa que se chegou a esta fase inaudita: tem-se a hipótese de estar completamente destapado emocionalmente a viver com alguém que nos conhece melhor do que os nossos pais. é uma aventura humana incrível!
mas também um caminho longe de ser evidente e, às vezes, muito complicado. com crises uma depois da outra. a transformarem-se. dificilmente detetáveis. é preciso muita vontade para se ficar juntos. é também necessário ter saudades. deixar-se espaços que não sejam completamente compartilhados. é preciso aceitar que esse manual do usuário que criamos da outra pessoa possa mudar. que vai ser preciso adaptar-se. é sempre indispensável questionar as certezas que temos sobre o parceiro.
ando desde há muito tempo fascinada pelos fins de histórias. por como o amor se usa. acaba. esvanece. porque a verdade é que, dentro dos três primeiros meses duma relação, consegue-se apontar para os problemas potenciais. a história do casal parece estar decidida nos inícios dele. e a capacidade para desejar o outro podia ser prevista com antecedência. em que direção vai o dueto? são os primeiros sinais que o sugerem. todos os casais têm uma predestinação. mas não é uma fatalidade que vem do exterior. que seja das pessoas ou das circunstâncias. é o casal mesmo que a fabrica.
diz-se que é um conjunto de duas nevroses. idênticas ou complementares. nunca escolhemos parceiros por acaso. a personalidade deles vai revelar e ativar partes de nós, boas e más, cuja existência nem suspeitávamos. raras são as pessoas que conseguem detetar estes elementos anunciadores de problemas. a maioria prefere não ver nada. não interpretar nada. fingir que fica indiscernível debaixo da capa do namoro. as diferenças de valores nunca se atenuam. e as pessoas não mudam.
tudo isso mexe-se com o facto que temos a tendência para mentir sobre um número de coisas e com a nossa visão do desejo da outra pessoa. e quando as verdadeira feridas aparecem já no início, quando fingimos o que não somos, quando não determinamos os nossos limites e aceitamos tratamentos de merda, negamos quem somos. e chegamos a um ponto em que não se pode mudar nada sem partir tudo.
no fundo, o amor só acaba quando nunca realmente existiu. quando acreditamos nas aparências dele enquanto não houve fundo nenhum. os conflitos são sempre difíceis a viver. sobretudo o primeiro. é preciso fazer o luto dos velhos valores e esperanças. e encontrar novos. é preciso reconstruir o casal. ou mais exatamente construi-lo de novo. a saber que um dos parceiros possa não estar interessado. que não querer seguir. as crises põem sempre a criatividade do casal à prova. ou seja a sua capacidade de se reinventar continuamente. de estar em evolução permanente. a dois, claro.
sexta-feira, 14 de julho de 2023
clivagens
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| equilíbrios complexos |




