domingo, 26 de julho de 2015

b jak bez słów

(por razões óbvias o que segue está em polaco)


jest tylko garstka takich osób
większość ludzi chce, aby mówiono im to, co pragną usłyszeć. że są fantastyczni. że bardzo dobrze im coś wychodzi. że szczupło wyglądają. że mają obłędne poczucie humoru. pragną, aby łechtać ich ego. mówić im rzeczy, w które oni sami nawet nie wierzą. daje im to   poczucie siły i władzy nad innymi. mogą ich zmusić do niezasłużonych pochlebstw. czują się ważni, gdy zabiega się o ich względy.

prawda jest niewygodna i nie przedstawia się aż tak spektakularnie. nie koi sumienia, nie owija się przymilnie wokół nas, nie daje poczucia komfortu. twardo dyktuje swoje warunki. nie toleruje ustępstw. jest bezwzględna. lecz wbrew pozorom prosta. i łatwa, gdy tylko założy się, że jest podstawą, na której budujemy nasze relacje z innymi. wynagradza czymś zupełnie innym - szczerością. brakiem udawania i kamuflażu. tym, że to, co widzimy, słyszymy lub czujemy jest tym czym naprawdę jest. upraszcza wszystko. pozwala iść do sedna, nie tracąc czasu ani energii. pozwala nam się rozwijać i dojrzewać.

większość ludzi woli prawdy nie widzieć. czasem się o nią potykają, lecz wolą udawać, że  nic się nie stało. jest to dla nich prostsze i z pozoru bezpieczniejsze. boja się stawić jej czoła. ci, którzy prawdą żyją, jako jedyni potrafią zgłębić tajniki relacji międzyludzkich. dbać o ich treść, bez ozdobników. być prawdziwym wsparciem, doradcą, przyjacielem, pokonali bowiem własne słabości i nie czują się zagrożeni, gdy ktoś jest od nich inny. potrafią szanować, to z czym się ni zgadzają. i wspierać nawet wtedy, gdy ich nie ma.

***

hani - za mówienie mi, że okropnie wyglądam w danym kolorze (i zawsze miała rację), zanim jeszcze zdążyła się ze mną przywitać, za kwitowanie mojego wychodzenia do ludzi z mokrą głową i bez makijażu jako swojskie, za szczerość w każdej sytuacji, niezależnie od tego, czy mi się to podobało czy nie, a która była niczym powiew świeżego powietrza, za rozumienie moich wewnętrznych rozterek jak nikt inny, za nieocenianie moich wyborów, niezależnie od tego jak wątpliwie się zapowiadały, za wiedzenie, co chce powiedzieć zanim to powiem, za wsparcie, które promieniowało niezależnie od odległości jaka nas dzieliła, za cala masę rzeczy, które pozostaną tylko miedzy tobą a mną - dziękuję.

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hanna - por me dizeres que a cor que estou a usar não me fica bem, antes mesmo de me cumprimentares (e tiveste sempre razão), por qualificares o ar que tenho ao ir trabalhar de manhã, cabelo molhado e nenhuma maquilhagem, de caseiro, por seres honesta comigo independentemente das circunstâncias, quer eu goste ou não - essa franqueza foi sempre um fôlego de ar fresco, por perceberes os meus transtornos interiores como ninguém os percebe, por nunca julgares as minhas escolhas, mesmo que pareçam muito duvidosas, por saberes o que quero dizer antes de eu o ter dito, por me apoiares de maneira tão tangível que o sinto independentemente da distância que nos separa, por uma infinidade de coisas que só tu e eu compartilhamos - obrigada.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

oficialmente loura

todos na minha família, além do piotrek e de mim, têm o cabelo liso e bastante fino. o piotrek e eu temos a crina encaracolada da nossa avó materna. todos os amigos dos meus pais queriam dar-me palmadinhas na cabeça quando eu era criança para tocarem no meu cabelo bonito, como se eu fosse um animal de estimação. e eu respondia que era fora da questão que eles tocassem no meu cabelo limpo com as mãos sujas.

o meu cabelo e eu, não foi uma história de amor à primeira vista. e não só porque não acredito no amor à primeira vista. há pouco tempo, uma aluna de sete anos e cabelo liso olhou para mim e suspirou que ela quis sempre ter o dela naturalmente encaracolado. olhei para ela, a sorrir, e respondi que eu sempre quis tê-lo liso. em adolescente, achei o liso sensual, macio e elegante, enquanto o meu tinha mais a ver com uma esfregona, uma grenha. e até aos meus quinze anos, tinha o cabelo muito curto. os meus pais mandavam assim porque não me penteava (algo que só as pessoas com cabelo encaracolado conseguem perceber). e é uma atividade de que continuo a não gostar e que faço tão raramente quanto posso. não possuo um secador de cabelo. as visitas ao cabeleireiro dão-me arrepios. devo ser uma das poucas mulheres que querem que os seus cortes de cabelo não se notem. quero tê-lo simplesmente e só comprido, então não vejo o propósito de comentários tipo mudaste o cabelo. não tenho a intenção de mudar nada. sou muito pouco aventureira nesta área. uma vez o cabeleireiro, que ainda não perdeu a esperança de me convencer um dia destes a mudar de cor ou fazer um corte fantasista, insistiu em mo lisar. eu tinha um ar tão débil depois que, ao voltar a casa, imediatamente passei o cabelo por água. não me sentia eu própria. as coisas são o que são - só me sinto mim com um a esfregona na cabeça. mas uma esfregona bonita. paciência.

a minha esfregona pessoal têm mais uma particularidade - esclarece com o sol. mas tanto que ninguém acredita que seja natural. que vão à merda. passei a semana toda a observar a influência dos raios corsos no meu cabelo. se eu já devesse escolher uma cor, queria ser ruiva. loura nunca me interessou. é banal. bucólico. ingénuo. não faz ressaltar a cor dos olhos tão bem como um cabelo mais escuro. mas aconteceu. 

vou voltar loura e numa forma que tive poucas vezes na minha vida, devido às horas passadas a andar com uma mochila tão pesada. não sei que parte é que me assusta mais, mas estou curiosa no que ambas vão dar.

domingo, 12 de julho de 2015

antares

seria escolher uma vida?
uma rapariga perguntou-me ultimamente que signo do zodíaco eu era. uma questão que me irrita bastante. primeiro, porque não percebo como se pode acreditar na astrologia. acho que é algo para pessoas frustradas da vida que se esforçam procurar sentidos onde não há nada, em vez de se focarem simplesmente em viver. é construir-se limites definidos por não sei quem, em vez de se descobrir e usar o seu potencial todo. segundo, adoro astronomia. é uma das minhas paixões desde sempre. estrelas são para mim plasmas mantidos pela gravidade. uma coisa de astrónomos e navegadores. acho bastante insultador quando se lhes atribui sentidos tirados de contos por crianças. terceiro, porque depois de eu dar a resposta, começam os rótulos. ah, é por isso que és assim e assim. explica tudo. depois vem a lista de todos os conhecidos, colegas e outros que são do mesmo signo. e com os quais eu tenho taaanta coisa em comum. ou que eu deveria absolutamente conhecer. é um tanto e um absolutamente bastante assustadores. nunca sei se devo fingir que estou a ouvir nessas situações. simular interesse não é algo que me resulta muito bem, porque acho que encoraja a outra pessoa a continuar a divagação, enquanto a mim, só me apetece mudar de assunto.

não sou assim e assim por causa de uma conjuntura galáctica de pó, radiação e buracos negros. não acredito em determinismos. não quero que ninguém me coloque limites de qualquer tipo. quero escolher sozinha quem sou e quem não sou. explorar a minha personalidade. conhecer-me melhor. desenvolver o que me interessa. não fazer o que não quero. manter a mente aberta. pronta a desafiar tudo o que passa pelo meu caminho. não vou deixar ninguém me colocar dentro duma gaveta. nem me dizer quem eu deveria ser. uma das coisas que me irritam mais é quando as pessoas acham que se tornaram especialistas da minha vida. 

então, a próxima vez que me fizerem a pergunta que signo de zodíaco sou, vou mentir. e, (in)felizmente, minto muito bem. que dia é hoje? domingo? aos domingos vou ser sagitário. é um nome fixe. ou ainda melhor, vou ser escorpião. porque é nesta constelação que fica a estrela que gosto mais de observar.  

quarta-feira, 8 de julho de 2015

cogumelos alucinógenos, anyone?

saio para mudar o meu carro de lugar.

ao percorrer de maneira rápida e energética, perdida nos meus pensamentos como de costume, os 60 metros que separam o carro da porta da casa, encontro um indivíduo de cabelo grisalho, óculos de sol, bermudas beges e uma tshirt duvidosa. acho que deve ser o proprietário da casa vizinha que está sempre alugada.

ultrapasso-o. 

ouço por atrás de mim: porque é que a menina está a andar tão rapidamente?

volto-me (incrível que nem se consegue estar tranquilo em frente da sua casa a fazer as coisas como se gosta): porque é o meu ritmo natural?

grande sorriso debaixo dos óculos escuros: esses adolescentes de hoje, sempre a correr.

pela primeira vez olho para o homem com atenção. avalio o potencial estado de embriaguez. (in)felizmente nenhum. apetece-me dizer-lhe que já tecnicamente tenho a idade para ser mãe de adolescente, mas ele parece tão contente consigo mesmo, que abandono a ideia.

aceno com a cabeça com cumplicidade e faço entrar o meu corpo de adolescente em casa.

terça-feira, 7 de julho de 2015

êxito

sorrisos.
risadas.
brilho nos olhos.
leveza do coração.
segundos de inocência recuperada.
irracionalidade.
esperanças.
medos exprimidos.
medos escondidos.
passos dados com olhos fechados.
magia.
sonhos.
alegrias fora do imaginável.
fora do possível.
coisas que nem se quantificam.
nem qualificam.
pelas quais nunca é tarde demais.
o simples.
o básico.
o fundamental.
o que não se consegue aprender nem com séculos de dedicação.
parar perante a incredibilidade do quotidiano.
sentir.
viver.
fazer como se fosse pela primeira vez.

tocar na vida.
esquecer-se do resto.

domingo, 5 de julho de 2015

diferentes?

não há duas coisas idênticas na vida. não existem. nem metades de cara, nem de laranja. é um conceito concebido pelo homem para supostamente dar um sentido à existência, uma eternidade passada à procura duma sensação efémera e ilusória. tempo espalhado a errar nos labirintos da vida, a enfrentar bifurcações inumeráveis, a ter déjà vus que se anunciam prometedores só para caírem aos pedaços cinco minutos mais tarde. para quê isso? chegar a um porto fantasma onde espera o familiar, o mesmo, o exato, tão reivindicados? o facto de se sentir completo? uma alma gémea? não funciona assim. o que se apresenta é o diferente. o inexato. a assimetria reina em tudo. a natureza revelou-se completamente perfeita na sua imperfeição. generosa e fantasista na distribuição. com um sentido de humor. há sempre um pequeno mas, um exceto, um quase. um traço infinitésimo que às vezes pode parecer indiscernível, às outras flagrante.

os mundos são diferentes, as histórias e preocupações várias, as perceções e os
pequenos gestos, grandes atitudes
valores divergentes, as soluções e os recursos desiguais. não há pessoas que sejam cópias perfeitas. nem fisicamente, nem mentalmente. mas nesses mundos que nem se seguem nem se completam, nas grandes linhas gostamos das mesmas coisas. sentarmo-nos ao fim do dia com uma bebida fresca depois de termos enfrentado os obstáculos do quotidiano. passarmos tempo com família e amigos. cuidarmos de coisas que importam. não termos de nos preocupar com faturas a pagar. olharmos para a vida a tentar extrair migalhas de beleza, de conforto, de propósito.

tantos elementos que unem, ligam, acercam. denominadores comuns. convergências. coisas que exploramos porque sabemos que a força verdadeira só pode existir na unidade. na união. concordamos com projetos. sentinelas dum futuro incerto. se calhar melhor. ou pior. inventamos medidas. assinamos acordos. já não queremos cometer os erros do passado. tentamos caminhar de mão dada como crianças parceiras. confiantes. colocamos bandeiras que reivindicam respeito, equidade. rodeamo-nos de conceitos nobres e bem feitos. é o triunfo da solidariedade. é? porque parece ter limites. nos momentos de crise, de dificuldades, o que deveria unir - desune. os fundamentos são esquecidos. o que importa é não ter de ceder demais.

uma atitude de dono da situação. uma cara de jogador de póquer que fala de vantagens e inconvenientes. que pode admitir um erro indelével, mas não o corrigir. seria um sentimento de ameaça que despertasse essas sensações? uma loucura solitária quando nem temos garantias nem certezas? uma relação de amor-ódio em que queimamos consumidos pelo fogo eterno das nossas pulsões? um plafond de tolerância já atingido? seria porque atribuímos demasiado valor a algumas coisas e pouco a outras? porque inventamos grandes teorias para explicarmos coisas que não precisam de explicações?

propósitos perdem-se. às vezes na vida o que importa não é a cor, o jogador, o orgulho, a pretensão. é o que vivemos nas entrelinhas. às vezes, só isto conta. e nada mais.

sábado, 4 de julho de 2015

mhhh...

estou na loja da desigual para recuperar a tshirt que a hanna tinha escolhido e que eu encomendei para a mãe dela. 

uma senhora na beira dos sessenta anos vem com uma mala e pergunta à empregada em italiano: quanto custa esta mala porque não consigo encontrar o preço em lado nenhum?

ao ver a cara da empregada, respondo eu, também em italiano: o preço deveria estar indicado dentro da mala.

como a mulher continua sem conseguir encontrá-lo, peço à empregada que ela o procurasse.

eu: 263.

a mulher italiana, surpreendida: euros?

eu: não, zlotys. não temos o euro. 

a mulher italiana, preocupada: então não posso pagar com euros?

eu: pois não.

e saio da loja. 

surpreendem-me sempre as pessoas que acham natural que se fale a língua delas quando estão no estrangeiro.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

havaianas

whatever our souls are made of, hers and mine are the same. emily brontë