quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

mais do que as aparências

ao recusar opção depois de opção na agência funerária, percebi que não devia ser o tipo de cliente habitual. conseguia ouvir nas salas ao lado outras pessoas debaterem preços, durabilidade de flores, detalhes mais elegantes, vídeos do funeral e outras coisas cuja existência eu nem suspeitava até hoje. tudo isso me deixava indiferente.

não percebo a instalação na dor. as músicas que fazem chorar. a foto da pessoa desaparecida a contrastar com a realidade. a estética escolhida demasiado minuciosamente. a celebração com todos num momento em que só apetece estar sozinho e em paz. a gravação do momento para sempre na cabeça.

para mim tudo isso é treta. os detalhes quanto quer que custem não compensam a perda. detesto a ostentação de quanto a pessoa supostamente valeu para nós que isso só se consegue medir no coração e não na carteira. e se precisamos demonstrar com a carteira é fruto da nossa culpabilização. no final das contas não muda nada que as flores sejam brancas, amarelas ou que não as haja de todo.

gosto de ter um máximo de privacidade e de anonimidade nas minhas dores. é só assim que elas permanecem puras e honestas. e acho melhor concentrarmo-nos no presente, nas pessoas vivas que estão connosco porque aí ainda podemos ter um impacto.

domingo, 27 de dezembro de 2020

de volta à estaca zero

condenados ao embelezamento
temos quase todos essa esperança secreta de um dia conseguir reparar o passado. de chegar a um ponto em que as pessoas que nos dececionaram, magoaram ou falharam duma maneira qualquer admitam o que fizeram mal e peçam desculpa. ficamos à espera da altura em que compreendem quanto valor temos e quanto nos devem. vivemos o presente ancorados no passado, presidiários de ilusões que tudo (ou quase tudo) pode ser reparado, vítimas de fraturas emocionais anteriores. a doer. a chamar a atenção. a ditar comportamentos irracionais. a nós fechar numa mentalidade de criança. numa deceção de criança. num mecanismo onde a intervenção só pode vir de fora.  

mas não vai. porque se essas pessoas se dessem conta de quem somos, já o teriam manifestado na altura dada. não teriam falhado. e se tivessem, porque ninguém é perfeito e todos falham duma maneira ou doutra, já o teriam reparado ou tentado reparar. obcecados com o nosso sentimento de prejuízo, limitados pelo que aconteceu no passado, pensamos que todos ficamos nele. mas não é o caso. fomos só nós. as outras pessoas foram para a frente. não ligaram ao que aconteceu. fecharam o capítulo. evoluíram. não significa necessariamente que mudaram, mas acompanharam o presente e não o passado.

a única pessoa de quem pode vir a intervenção somos nós mesmos. temos é de reparar as nossas fraturas emocionais. sozinhos. dar-nos o que faltou. o que falhou. o que dececionou. o que nunca chegou. deixar de esperar que isso se faça sozinho. que a vida vai um dia querer ajustar o desequilíbrio. perceber a responsabilidade que tivemos no que aconteceu. onde nós falhámos. onde nos deixámos. onde nos dececionámos. pegar nas migalhas, nos pedaços e colá-los. torná-los. só assim é que o passado pode finalmente ficar reparado. só assim é que conseguimos sair dele e deixar os círculos viciosos. só assim é que nos podemos tornar seguros e viver no presente.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

licornes e arcos-íris

ilusões sensoriais

uma rapariga que ultimamente tem passado do ensino para o setor privado depois de muitos anos de atividade profissional comentou comigo que as primeiras experiências foram muito dececionantes. porque acreditava nas pessoas e achava que a agir com integridade ia ser tratada com integridade. o que aconteceu? numa formação de vendas ela quis fazer um projeto com dois gajos com quem normalmente trabalhava. eles primeiro disseram que sim, mas no dia seguinte mudaram de ideia porque preferiam trabalhar com outra pessoa com mais experiência. um desejo bastante legítimo, quando se está a aprender, acho eu. mas depois se calhar a minha opinião vale pouco porque acho que as pessoas com quem trabalho são só colegas. raramente tornam-se amigas. mas já aconteceu. regra geral, dá-me igual que elas gostem de mim ou não. mas precisam respeitar o meu tempo. e o meu trabalho. enquanto aos casulos protetores, não fazem bem a ninguém porque distorcem a visão da realidade e as respostas potenciais.

os momentos pouco íntegros, raros são os que não passaram por eles. que seja trabalho roubado, mérito não reconhecido, tarefas ou horários de merda, decisões tomadas sem o nosso conhecimento e contra nós, comentários inapropriados, promoções recusadas, despedimentos injustos, trabalhos não oferecidos porque alguém tinha mais cunhas, foi para a cama com a pessoa a tomar a decisão, ou vendeu-se duma outra maneira qualquer... a lista parece interminável. umas dessas coisas são mais putas do que outras. mas é sempre mais saudável assumir que podem acontecer a qualquer momento para termos um plano b. para sabermos o que fazer. para não perdermos o equilíbrio. e para conseguirmos manter a nossa integridade (pelo menos os que estão interessados em mantê-la).

porque o facto de alguém nos tratar com pouca retidão não exclui duas coisas. primeiro não toca à nossa integridade. não significa que temos de reciprocar da mesma maneira. perder os nossos valores. comportar-se como as pessoas que nos rodeiam. há níveis aos quais nunca é preciso descer. mas mantermo-nos intactos, não é sinonimo de cegueira e de ingenuidade. é preciso notar e adaptar palavras e comportamentos. mas não a cinicamente fazer o mesmo. é perfeitamente possível partir a cabeça de alguém a ficar fiel aos nossos valores. um não elimina o outro. tudo depende da importância que lhes damos. 

então quando a rapariga disse que agora ia precisar tornar-se filha da puta para se ser competitiva, discordei. porque somos nos que escolhemos o nosso modo de estar. só em circunstâncias extremas é que às vezes fica ditado por elas. para lidar com filhos da puta, não é preciso agir como eles. mas é preciso minuciosamente definir o próprio território. e quando for transgressado, sempre causar danos suficientes para eles nunca terem a ideia de tentar uma segunda vez. no fundo o machiavelli é que tinha razão. e tudo isso com mais ou menos classe. porque é sempre agradável gostar do que vemos no espelho. pelo menos eu gosto.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

sexo frágil?

i ask no favor for my sex. ruth bader ginsburg

hoje em dia há um boom de movimentos e de iniciativas com objetivo de promover mulheres. é a altura historicamente certa para acusar de assédios sexuais os homens que trabalharam ou trabalham connosco. de ter quotas de mulheres nos cursos, nos cargos, nos conselhos de administração. de dar oportunidades às mulheres empresárias. de se queixar em voz alta sobre o chauvinismo masculino e os séculos de descriminação. de criar comunidades de solidariedade feminina às quais os homens não têm acesso. 

todas essas causas parecem certas. parecem reestabelecer uma ordem mais igualitária na vida. corrigir anos de desigualdades. pavimentar caminhos para mulheres que nunca conseguiram falar por si próprias. ou viver por si próprias. deixá-las realizar os desejos que tinham. dar-lhes a educação que desejavam. ouvir as vozes delas. restabelecer o equilíbrio. encontrar justiça. parar os maus tratamentos. desfazer-se de ideias pré-concebidas. e nem estou a falar das mulheres oprimidas pelos sistemas políticos e patriarcais nos quais vivem. estou a falar de mulheres nas sociedades ocidentais. as que já se tornaram emancipadas há algum tempo. ou se calhar nunca o ficaram. 

mas, independentemente de quanto tempo passo a tentar identificar-me com essas iniciativas, não consigo. porque quando é preciso reconhecer-se num grupo (em que nem todos podem entrar e há outro critério de seleção do que o simples mérito) ou mesmo aderir a ele para se fazer ouvir, significa que já se começa duma posição fraca. e a chamar atenção para algo que não se consegue obter de outra maneira. a não querer competir com outros de maneira igualitária. e eu não quero receber nada por fazer parte duma minoria. não quero nenhum tratamento especial. não quero deixar de melhorar e de me desenvolver por estar protegida por um guarda-chuva invisível. por me esconder nos bolsos duma instituição. 

quero é apanhar a pancada de água. decidir sozinha de quem quero aprender e com quem me quero associar por critérios outros que não o uso do soutien e as flutuações hormonais. quero, no ponto de partida, estar numa posição de igualdade, no sentido de poder fazer os mesmos erros, de estar na mesma situação perante as oportunidades, de dever tudo a mim. no meu primeiro trabalho sério, era a mais nova numa equipa de seis gajos. a primeira semana todos aproveitavam cada momento para dizer ao chefe que eu era demasiado nova (tinha 25 anos). ele respondeu que não havia nenhum problema, podia despedir-me, mas a condição de eles terem uma prova da minha incompetência. e se fosse só a minha idade e sexo, as pessoas que iam ser despedidas eram eles. nunca mais foram vê-lo a propósito disso.

nem foi a primeira nem a última vez em que gajos me trataram com ar de superioridade. mas estou a cagar-me para isso. não muda nada nem no que quero, nem no meu caminho. até me anima para ser uma melhor versão de mim ;)

sábado, 12 de setembro de 2020

complexo de diretor geral

a olhar para as contas das pessoas no linkedin flutuo sempre entre o espanto e o arrepio. fico admirada porque não percebo o estado da mente atrás das letras. das palavras. das funções. a corrida desmedida e desenfreada dos egos. o conforto irrisório dos rótulos. o onanismo inteletual dos títulos. a humildade e o distanciamento para si próprio pisados com cada batida de tecla. cada fórmula vazia. cada complexo a gritar para ficar no centro das atenções. quase todos são diretores. presidentes. proprietários. gerentes. chefes. incluso os que têm uma atividade própria e não contratam ninguém. onde é que estão então as pessoas que são geridas e presididas? nem parecem existir. se não existem, não são precisos gerentes. qual é o encanto de se ser 'diretor de absolutamente nada'? nunca vou perceber...

de todas as coisas que existem na vida, as pessoas parecem preocupar-se com o que há de mais fútil.  de mais vazio. de mais presunçoso. interessam-nas aparências. comparações com outros. prestígio reconhecimento. coisas das quais se possa ter ciúmes. desejos de atenção e de admiração. impérios de inveja e incerteza que procuram desesperadamente a validação das próprias decisões, escolhas, existências. tenho uma má notícia. essa validação nunca vem de fora. porque quando a interna não chega, é algo que a externa nunca vai conseguir preencher. que também ela é avaliada pelo nosso interior. e já que o interior não se desenrasca consigo próprio, que bem é que podia resultar duma tal valorização? a soma de mil coisas sem merecimento continua sempre a ser zero. independentemente do ponto de vista. independentemente do título que tem. independentemente da ilusão de bem estar que parece oferecer. 

quem somos tem a ver com como atuamos na vida. como nos comportamos. como tratamos as outras pessoas. quem somos quando ninguém olha. o caráter que desenvolvemos. os valores que seguimos. o (des)equilíbrio que temos na cabeça. é um certificado que não pode ser obtido (e depois mediocremente publicado nas redes sociais...) em nenhum curso. é uma experiência que começamos do zero todos os dias. em que temos a escolha perpétua de conseguir ou falhar. um tipo de mito do sísifo, se calhar um pouco menos binário. a maneira de que a vida nos testa todos os dias. a verificar quanto estamos comprometidos com quem somos. quanta integridade temos. qual é a nossa definição de rectidão. onde está o nosso ponto de honestidade. se sabemos quanto valemos e por isso calamos. ou se não o sabemos e precisamos de toda a atenção e toda a confirmação externa para obter uma migalha de reafirmação que, se calhar, valemos algo.

sexta-feira, 27 de março de 2020

quando o mundo acaba

gosto de situações de crise. de adversidade. de complicações extremas.

muitas vezes uma prenda da vida
clarificam a importância das coisas. nada melhor que a pressão e o limite de tempo para se perceber o que tem valor na vida. e o que não. como se tudo se iluminasse de repente na cabeça. como se todas as dúvidas desaparecessem. como se o caminho certo se revelasse subitamente e nos convidasse para o seguirmos. como se a nossa visão do mundo estivesse claríssima. como se os nossos sentidos se tornassem mais agudos. como se adquiríssemos características animais a orientarmo-nos na escuridão dos medos, dos transtornos, com a agilidade e a segurança dum felino. até nem percebemos como antes podíamos não saber por onde ir. o que fazer. como podíamos hesitar. duvidar. pensar que as coisas eram complicadas. complexas. dificilmente discerníveis. e aqui a verdade, a realidade, de repente, e muitas vezes inesperadamente, manifesta-se. despe-se. dita tudo. pede a nossa atenção total. a nossa energia completa. mostra-nos o que temos. e o que não temos. torna-se dona do nosso destino.

as situações de crise também revelam a pessoa que somos. empurram-nos até ao extremo. cortam o fôlego e depois olham para ver como conseguimos respirar. como lutamos pelo ar. tornam-nos nus. fracos. vulneráveis. desorientados. hesitantes se fazer a coisa mais fácil ou a coisa mais certa. ampliam as qualidades. e os defeitos. mostram de que somos feitos. expõem a feiúra. ou a beleza. sempre a dar uma imagem muito clara. óbvia. no final das contas o nosso caráter expõe-se sempre melhor em duas circunstâncias: quando ninguém olha e quando não temos nada a perder. é a altura em que, para a maioria das pessoas, todas as inibições, todas as auto-correções, todas as dissimulações arrebentam. já não se consegue mais esconder a nossa construção, os nossos desejos, as nossas ansiedades. um raio x do ego. um ponto de nós já feito. impossível esconder-se. impossível fugir. só enfrentar. um momento de liberdade no fundo. que fingir sempre consome muita energia e muito controlo. e faz perder tempo no conhecimento da outra pessoa. acho melhor poder enfrentar a verdade sobre outros já no início. para não se investir em causas perdidas.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

territórios

com a maioria das coisas na vida levei tempo. muito tempo. para perceber. descobrir. mudar. implementar. não errar. com outras soube desde o início o que estive disposta a perder. a sacrificar. de que podia abdicar. ou mais exatamente o que não estive disposta a perder. a sacrificar. de que não queria abdicar. sempre tenho tido uma noção maluca da minha identidade. a saber exatamente o que eu era e o que não era. nem sei de onde é que isso veio, mas está profundamente incutido em mim. sempre fui territorial perante tudo o que dizia respeito ao meu corpo e à minha cabeça. a recusar, muitas vezes de maneira violenta e agressiva, cada tentativa de ingerência no quem eu era, seja fisica ou mentalmente. e isto desde criança. é como se fosse uma obsessão. intransigente. compulsiva. teimosa.  excessiva. cega. espantosa. vi os outros alinhar-se, aceitar, ceder, não se preocupar enquanto eu só conseguia fugir, contestar, contornar, recusar. 

coisas bem definidas
e gozar desta rebelião. a sentir com cada passo que era só uma afirmação de mim. uma delineação dos meus limites. uma inspecção dos fundamentos. uma oração para manter intactas as esperanças e as expetativas. uma chamada para reafirmar as regras. reafirmar o que eu era. uma exigência para não sair do caminho certo. para não perder o norte. para estar em harmonia com os sentimentos mais profundos. algo que sempre me fez rir também. é que não percebo como esta sensação do eu pode ser tão forte. tão dominante. a importar nas alturas em que aos outros, dá-lhes completamente igual...

já mando há demasiados anos na minha vida profissional para me lembrar como é preciso reconquistar o seu próprio território na presença de invasores. faço as minhas regras e não trabalho com quem não as aceita ou não as respeita. posso permitir-me esse luxo. recentemente foi-me sugerido que se calhar era uma boa ideia eu mudar a minha foto profissional. porque roupa vermelha dá demasiado nas vistas. porque era melhor usar um casaco. porque pareço demasiado jovem. é que o vermelho quase me dá poderes e adoro. os casacos são muito bonitos, mas não fazem parte do meu estilo. gosto de vestidos porque deixam usar uma peça só. e o ar que tenho diz respeito a mim. e só a mim. se alguém acha que sou demasiado algo ou não suficientemente outro, o problema são os complexos dele e não me interessam. pessoas que sabem o que valem não perdem tempo a se perguntarem que regras é que os outros seguem ou quebram. 

todas as coisas boas que consigo ser, só as consigo porque me sinto confortável com quem sou. e com como sou. todos não precisam gostar. de certeza não vou mudar para agradar. não vou fingir para ter mais sucesso. porque me separar de mim era o meu maior fracasso na vida. prefiro evitar. 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

sono

nem tudo é o que parece
o sono e eu, é uma relação complicada. sempre tem sido. uma dessas relações de amor e de ódio. com pouco amor e muito ódio. se calhar não ódio, mas poucas expetativas, ou pelo menos poucas expetativas boas. uma situação em que se fica à espera do difícil desde o início. admiro e, por uma vez posso dizê-lo, tenho ciúmes das pessoas que conseguem adormecer num lugar qualquer, deitadas ou sentadas, em camas alheias ou poltronas, com músicas e barulhos de todas as sortes, luzes acesas, outros a entrarem e saírem etc. para mim ter a hipótese de dormir faz parte dum sistema muito binário. minha cama, zero barulho, temperatura ideal, estômago cheio, luzes apagadas - se a minha cabeça não tiver outros planos e se o meu limiar de cansaço não estiver ultrapassado consigo. em todas as outras circunstâncias e configurações o sono não vem. esta complicação mantém-se há quase trinta anos, que antes não me lembro muito bem como era, mas deve ter sido mais ou menos o mesmo. 

não consigo adormecer numa cama que não seja minha, pelo menos durante as primeiras duas ou três noites (e isso se tudo correr bem). lixa-me todas as viagens de curta duração porque significa que quase não durmo. tenho o sono extremamente leve. todos os barulhos ou não me deixam adormecer ou fazem-me despertar imediatamente. incluso quando se abre a porta do quarto. por isto o meu plano ideal foi sempre: último andar, longe do elevador (se se conseguia ouvi-lo ou não foi uma coisa que sempre verifiquei ao alugar apartamentos), janela para tudo menos a rua, vizinhos calmos, nenhum bar ou restaurante ao lado. inúmeras foram as vezes em que, nas horas de madrugada, fui de pijama bater nas portas de vizinhos, fossem temporários ou mais permanentes, para exigir que baixassem o som da música, deixassem de falar tão alto ou tirassem os saltos ao andarem em casa. não posso adormecer quando estou com frio (durante a última caminhada nas montanhas todos gozaram comigo porque o meu saco de dormir pesava dois quilos, o que é enorme. era levar peso a mais ou arriscar-me a não dormir de todo durante uma semana se tivesse demasiado frio a dormir na tenda) nem dormir quando estou com demasiado calor (acabo sempre por ter uma série de pesadelos e acordar no meio de cada um). lençóis desagradáveis ao toque também me incomodam. não consigo adormecer quando estou com fome. já me aconteceu levantar-me no meio da noite ou muito muito cedo pela manhã, só para comer algo. as luzes também me molestam. prefiro quando estão apagadas e mesmo que consiga adormecer, acabo por sempre acordar uma ou duas horas mais tarde para as apagar.

e quando toda esta parte técnica está cumprida como devido: estou na minha cama, sem barulho nem fome, sem demasiado calor ou frio, com luzes apagadas, em condições que parecem ideais para o sono chegar, infelizmente não significa que vá. que uma vez os parâmetros físicos preenchidos, vem o turno dos parâmetros emocionais. difícil dizer quais são os mais chatos. se eu fizer algo muito emocionante ao fim do dia, se a minha cabeça começar a ruminar quando já estiver deitada, se estiver muito cansada ou com enxaqueca, o sono não vem. e nem ajuda fazer outra coisa, nem usar um dos truques para dormir rápido, nem mudar de cama.

e se tudo correr bem física e mentalmente, se tudo estiver alinhado como eu gosto e preciso, se não houver nenhum outro contratempo imprevisto, preciso, na mesma, duns quarenta minutos para adormecer. paciência...