entro na minha loja de computadores. mais uma vez perdi um parafuso. cumprimento as pessoas. só o meu senhor, o proprietário da loja, responde. os quatro clientes que lá estão ficam calados.
detesto isso. não percebo como se pode não dizer bom dia quando se entra num local. eu sei que muitos se habituam a essa indiferença das pessoas e nem fazem por isso. mas para mim, é uma luta que não tenciono abandonar. our lives begin to end the day we become silent about the things that matter. ou pelo menos a minha vida.
um dos clientes sai subitamente. olho para o meu senhor e pergunto porque é que esse cliente não tinha respondido ao meu bom dia. se o pais não o tinham educado. concluo que não percebo. os três clientes restantes que também não tinham dito nada decidem juntar-se à conversa. um explica que ele às vezes está tão perdido nos pensamentos que mesmo não reconhece os amigos que cruza na rua e que o cumprimentam. o segundo diz que se calhar o senhor estava com problemas de ouvidos. returco que eu sempre grito os meus bons dias para todos os ouvirem. de verdade, sou extremamente pouco subtil nisto. o terceiro sugere que se pode estar tão triste ou zangado que nem se repara no que os outros dizem.
o problema do parafuso resolvido, olho para eles todos, despeço-me e saio da loja. com um sorriso na boca que me acompanham quatro adeus, bem fortes e distintos.
