sexta-feira, 28 de novembro de 2014

é melhor ficar calado

silêncio! 
acho que, na maior parte dos casos, só conseguimos realmente perceber as situações e as emoções envolvidas nelas quando as experimentamos nos mesmos. quando descobrimos a quintessência. quando percebemos os interesses. quando estamos com dúvidas ou com medo. à beira de escolher, perder, arriscar ou errar. quando entendemos o que podemos estragar.

no resto dos casos, só temos a impressão, a ilusão de perceber. é uma situação muito mais fácil, quando não estamos pessoalmente implicados, mas achamos ter o juízo necessário para resolver a situação. e julgamos. algo de bastante horrível, mas que quase todos fazem. não sei se é por falta de segurança, mas é um programa que se activa na cabeça quando nos comparamos a alguém e quando o que vemos não corresponde à nossa própria imagem. sentimo-nos ameaçados. os nossos valorem parecem derreter mais rapidamente do que um cubo de gelo quando é colocado na água em ebulição. então para nos proteger, decidimos que o que é diferente é mau. separam-nos disso. sucumbimos às nossas inseguranças. condenar é fácil. ter a coragem de tomar uma decisão é outra coisa.

dignidade é muitas coisas. é manter a sua integridade. é escolher o correto em vez do fácil. é decidir não fazer nada quando não se gosta das opções que se tem. é respeitar as  outras pessoas. é ficar calado quando não se tem nada de construtivo a acrescentar. é seguir o seu coração. é decidir como se quer enfrentar a morte quando se sabe que se tem pouco tempo.

não foi o apóstolo paulo que escreveu, na epístola aos romanos,: 'portanto, és inescusável, ó homem, qualquer que sejas, quando julgas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo'?

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

partida, largada, fugida!

simples, não?
gosto do que tenho. gosto do que não tenho. gosto do que perdi. de todos os erros que fiz. de cada contradição que me faz. aprendi a ziguezaguear entre elas. a juntá-las num tudo sem arriscar explosões. a priorizar quando os elementos se contradizem. a reconhecer os sinais de socorro antes de que apareçam. a ouvir-me. a adivinhar-me. a perceber-me. a surpreender-me. a confiar em mim.

gosto do simples. de linhas limpas. de texturas lisas. de detalhes modestos. de estilos minimalistas. de sabores distintos e pouco complicados. de pratos cozidos numa só panela. de água sem gás, gelo, palhas ou rodelas de limão. de vestidos curtos e monocromáticos. de cabelo solto. de coisas quotidianas. de céus estrelados. de maresia preenchendo cada milímetro do corpo. de silêncios cúmplices. de situações óbvias. de frases claras. de respostas sucintas. de forma mínima com conteúdo máximo.

não manipulo as pessoas. não faço chantagens emocionais. não uso ninguém para preencher inseguranças ou vazios afetivos. não me penduro emocionalmente aos pescoços. não vejo o sexo como parte dum sistema complexo de punições e recompensas. não tenho medo de enfrentar a vida. ou se calhar às vezes tenho, mas acabo sempre por responder ao desafio. costumo começar por procurar as soluções dentro de mim. por ver se o destino e eu concordamos sobre o que ele está a trazer-me.

quando não gosto do que ouço ou vejo, digo-o. quando quero uma coisa, pergunto diretamente. não fico à espera que alguém o adivinhe. respeito o tempo das outras pessoas e o meu. aviso sobre as minhas intenções. quando quero que um homem me dê os parabéns de aniversário, informo-o no dia anterior. formulo perguntas de maneira clara, para receber respostas unívocas. não quero mentiras. nem histórias de merda. nem palavras evasivas. não preciso que alguém concorde sempre comigo. não me sinto ameaçada porque uma pessoa é mais magra, jovem, inteligente, bonita ou divertida.

é a melhor parte do processo de se tornar mais velho - chegar a um ponto em que se gosta incondicionalmente do que se tem na cabeça.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

wojownicza

os grandes guerreiros também têm medo. nesse aspeto não são muito diferentes das outras pessoas. só um louco não teme nada. mas, a diferença das outras pessoas, chega um momento em que os grandes guerreiros enfrentam esse medo. encontram a coragem dentro de si mesmos. continuam sozinhos. não fogem. mesmo quando sabem que têm pouca hipótese de ganhar. 

que a força esteja contigo, magda.