segunda-feira, 11 de agosto de 2014

walkabout

uluru
os aborígenes têm um rito de passagem (na realidade têm muitos, mas só vou falar deste do que gosto particularmente) em que adolescentes de sexo masculino (como sempre, a vida é bastante sexista) se comprometem a fazer uma viagem na selva durante um período que pode se prolongar até mesmo seis meses. sem dizer para onde vão (mais provavelmente também sem saber para onde vão) e para quanto tempo. retiram-se. desaparecem. durante esse período seguem as pistas percorridas pelos antepassados e imitam-nos. é uma interrupção na ordem e na rotina da vida, uma pausa espiritual na cacofonia e confusão do quotidiano. afinal de contas, tem-se uma visão mais clara das coisas quando se está sozinho. e quando se torna o único responsável do seu destino. abre-se olhos. escolhe-se batalhas. cresce-se.

(e eu, não sei porque, reflito sempre melhor quando ando. e mais reflito, mais rapidamente ando) 

por extensão este termo é usado cada vez que alguém escolhe de se retirar duma maneira ou outra da vida que tem, para revalorizar as coisas, pô-las em perspetiva, ponderar o caminho escolhido, estabelecer as mudanças necessárias, clarificar as prioridades.  

este rito de passagem chama-se walkabout. e estou a fazer um.