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| uluru |
os aborígenes têm um rito de passagem (na realidade têm muitos, mas só vou falar deste do que gosto particularmente) em que adolescentes de sexo masculino (como sempre, a vida é bastante sexista) se comprometem a fazer uma viagem na selva durante um período que pode se prolongar até mesmo seis meses. sem dizer para onde vão (mais provavelmente também sem saber para onde vão) e para quanto tempo. retiram-se. desaparecem. durante esse período seguem as pistas percorridas pelos antepassados e imitam-nos. é uma interrupção na ordem e na rotina da vida, uma pausa espiritual na cacofonia e confusão do quotidiano. afinal de contas, tem-se uma visão mais clara das coisas quando se está sozinho. e quando se torna o único responsável do seu destino. abre-se olhos. escolhe-se batalhas. cresce-se.
(e eu, não sei porque, reflito sempre melhor quando ando. e mais reflito, mais rapidamente ando)
(e eu, não sei porque, reflito sempre melhor quando ando. e mais reflito, mais rapidamente ando)
por extensão este termo é usado cada vez que alguém escolhe de se retirar duma maneira ou outra da vida que tem, para revalorizar as coisas, pô-las em perspetiva, ponderar o caminho escolhido, estabelecer as mudanças necessárias, clarificar as prioridades.
este rito de passagem chama-se walkabout. e estou a fazer um.
