quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

melhor adepto possível

nunca se sabe o que
fica do outro lado
admiro as pessoas que deixam o cabeleireiro escolher o corte ou a cor. que se sentam, despreocupadas, e fazem outra coisa. ocupam-se,  até ao processo acabar. incluso falam com a pessoa a cortar, mas abstraindo-se do que faz. sem nunca mexer nisso, nunca intervir. eu sempre aviso no início que sou uma bruxa. controlo cada milímetro a cair, cada ângulo das tesouras. peço os pormenores antes. faço um milhar de perguntas durante. queixo-me quase sempre no fim, que sim, o corte ficou muito bem, mas era realmente preciso cortar tanto para atingir esse resultado??? depois asseguro que daqui a algumas horas vou adorar e no dia seguinte vou mandar uma foto do cabelo a dizer que estou a adorar. 

sempre achei que era uma falta de confiança da minha parte. uma falta de vontade a entregar-se. dum lado porque cabelo encaracolado é mais difícil a cortar e poucas pessoas o fazem bem (regra geral, acho que a maioria das pessoas é completamente incompetente, independentemente da área de trabalho). do outro lado, como é que podia confiar em alguém sem o conhecer, só pela pessoa se dizer cabeleireira... mas ultimamente tenho começado a ver esta atitude de maneira diferente de só querer controlar tudo ao redor de mim. o que me surpreendeu. e muito.

estive a falar com pessoas que conheço e que têm as próprias empresas sobre se iam mudar a maneira de pagar os impostos este ano. e a querer saber porquê. quase todas responderam que não tinham nenhuma ideia. e todas acrescentaram que eram os contabilistas delas que tratavam disso e tomavam decisões. fiquei de boca aberta. porque eu posso ouvir opiniões e conselhos, mas a decisão final, quero tomá-la eu. sozinha. parto do princípio que a pessoa mais interessada nos meus assuntos e mais disposta a mexer-me para que tudo corra o melhor possível sou, e serei sempre, eu. independentemente da área e do nível.