quarta-feira, 16 de agosto de 2017

faltas? falhas?

como prefiro ser honesta do que politicamente correta resulta sempre em merdas. já me habituei. continuo sem perceber muito bem como se pode preferir ouvir algo que nos agrade a algo que tenha o potencial de fazer avançar as coisas, mas pronto. poucas são as pessoas que valorizam. a maioria fica completamente espantada. ofendida. incrédula. passo por demasiado direta. agressiva. crítica. insensível. arrogante. se calhar até sou todas estas coisas... paciência... explicam-me que eu poderia ter feito passar a mensagem de outra maneira. que não era preciso ser tão brutal. que deveria tomar mais em conta os sentimentos dos meus interlocutores. que a diplomacia serve. mas para quê?

dispersões
sempre que me tento suavizar, reter, controlar, calar, acalmar as minhas mensagens acabam por ser mal compreendidas. tornam-se ineficazes. deixo demasiada margem para a interpretação do que quero. e assim nunca o alcanço. os objetivos ficam perdidos nos não ditos. nos silêncios. na esperança que alguém seja suficientemente inteligente e clarividente para ler entre linhas. e que se queira mexer sozinho para fazer o seu trabalho. quase nunca acontece. as pessoas com garra, as que conseguem definir os alvos e auto-motivar-se para os alcançar são muito poucas. até podem ser contadas nos dedos de uma mão.

o resto da população prefere esperar para ver se a situação não se soluciona sozinha para elas não se darem a trabalho nenhum. também precisa sentir que não tem outra escolha que mostrar respeito perante uma autoridade e cumprir. e que está com um ligeiro medo do que poderia potencialmente acontecer se não fizessem o trabalho como manda a lei. é uma pena enorme que significa que é preciso disciplinar quase todos como se fossem crianças, mas infelizmente sem isto é só estagnação. e desperdício de tempo. então enquanto houver objetivos para alcançar, chego-me à frente para ser dura. é pouco popular. mas alcanço sempre tudo, com qualidade e dentro dos prazos. e todos se perguntam como consigo... é que é bem preciso que alguém faça o trabalho em vez de se preocupar com o que as pessoas vão pensar...

domingo, 6 de agosto de 2017

pontes para alvos

para o alessandro
porque sem disciplina não seríamos nada.

quarto de monge budista, bagan, birmânia
quando somos crianças tudo é simples. muito mais simples. chega querer para alcançar objetivos. vivemos num mundo binário. estamos regidos por uma vontade egoisticamente cega. enfocamo-nos numa coisa e numa coisa só. e que interessa. o resto... podia não existir. não nos preocupamos com ele. e temos objetivos a curto prazo. que não entram em conflito com muita coisa. que não atrapalham nada. que não exigem sacrifícios específicos. que nos fazem ficar perfeitamente felizes quando os atingimos. quase soa bom demais? é que dura pouco tempo...

as coisas só acabam por se complicar. de repente, a vontade já não chega. o desejo já não chega. o esforço já não chega. a paixão já não chega. a claridade da mente torna-se opaca. não se pode acreditar em tudo que se sente. os sentimentos e os pensamentos tornam-se extremos com as dificuldades. interpreta-se e percebe-se mal o que está a acontecer. e o que vai acontecer. a essência das coisas fica escondida. pelo medo. é preciso enfrentar tanta coisa e a tantos níveis que se questiona tudo. se perde tudo de vista. vale a pena? quanto vai custar? o que se vai perder? quanto esforço mais vai levar? vai resultar em algo? quanto mais difícil vai ser? porque demora tanto tempo? vale a pena?...

o único que nos pode salvar é uma rigidez extrema da mente. é nunca esquecermos onde queremos chegar. é não perdermos de vista o resultado final que esperamos. independentemente das dificuldades. dos transtornos emocionais. da vontade de largar tudo. do nojo a enfrentar situações que parecem sem saída. do desespero que invade. do desânimo que brinca connosco. da tentação do fácil e do confortável, sinónimos de estagnação. do cansaço mental e emocional. de tudo que perturba a nossa atenção. de ter de recomeçar do zero inumeráveis vezes mas a fingir como se fosse pela primeira. a encontrar em nós o mesmo entusiasmo. a mesma coragem. a mesma força. é fazer resets constantes. é não se lembrar de deceções. nem das faltas. nem das falhas. é dominar o corpo e a mente. é filtrar pensamentos e emoções.

é preciso ter uma mente surda e cega ao que não importa para triunfar.