quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

o top 5 quando se está com a cabeça debaixo de água

felizmente há muito tempo que não estou, mas é sempre bom relembrar o que serve nessas alturas.

1. sexo (sempre o melhor remédio para tudo, quase independentemente das circunstâncias)

2. usar um soutien de renda vermelho (não sei porquê, com cuequinhas vermelhas não funciona. cuequinhas vermelhas nem me aquecem nem arrefecem. são com a suíça - neutrais - e a não provocar grandes comoções)

3. chocolate (o quente parece mais confortador e sofisticado nos momentos difíceis - já se está mal, então uma migalha de sofisticação serve, mas em versão bolo ou tablete também consegue fazer milagres)

4. correr (para limpar a cabeça, adquirir perspetivas novas e relativizar tudo)

5. raspar as pernas (dá um sentido de realização tremendo, só comparável ao que se atinge quando se está a passar roupa a ferro, com a exceção que quando se está abatido, não apetece tanto passar roupa)

domingo, 27 de dezembro de 2015

(des)obrigações

seguir ou não seguir padrões?
ultimamente ouvi dizer que era preciso fazer coisas das quais não se gostava (e não estou a falar de trabalho ou do estado da alma que se tem quando se está a pagar contas pela internet, mas das complicações e meandros das relações humanas) quando as circunstâncias ou as expetativas o mandavam. era? realmente? devo discordar. não o vejo assim. e nem sinto preocupação nem pressão por isso. também não percebo realmente como é que se as pode sentir. deve faltar-me um chip social, uma função que me faz identificar com um grupo, com um bem coletivo, com expetativas médias, com funções sociais, com um padrão definido por sociólogos e adorado por psicólogos. devo ser anormal. mas não vamos chorar por isso. há coisas bem piores que acontecem.

essa mentalidade e essa necessidade de corresponder e de se afirmar aos olhos dos outros é algo que oficialmente não percebo. não encaixa na minha visão da vida. não sei como se consegue chegar a um ponto em que se quer fazer o que as outras pessoas fazem só para não parecer diferente. em que o medo de ser diferente empurra a fazer idiotices e ilogismos só para não se sentir excluído do grupo das pessoas fixes. nunca fiz parte dele. e há mais de 20 anos que isso já nem me aquece nem arrefece. deveria importar-me com o que as pessoas acham de mim só porque as ciências humanas definem o homem como um animal gregário? atribuem-lhe pulsões com as quais não me consigo identificar? não chega. há coisas mais importantes. o que me interessa é a minha opinião sobre o assunto. as minhas expetativas. a minha visão. porque sou a única pessoa que está na minha cabeça. e não quero arrepender-me por ter escolhido coisas erradas. pelo menos encaixo lindamente no pré-definido egocentrismo humano. que é uma realidade, quer se queira ou não. se calhar sou mais associal de que anormal. também não vamos chorar por isso.

só tenho uma vida. e quero decidir sozinha. definir sozinha. abdicar sozinha. inventar as minhas definições do fixe. e modos de prosseguir, de fazer. e se eles não corresponderem (e na maioria dos casos não correspondem) às definições geralmente aceites, paciência. não vou chorar por isso. conheço muito bem o preço a pagar e mesmo assim, vale a pena. ao seguir as pessoas, cegamente, em desacordo com o que se é e o que se pensa, perde-se muito. perde-se quase tudo. estraga-se quase tudo. honestidade. sinceridade. auto-estima. paz interior. satisfação. esperanças. amor próprio. morre-se milímetro por milímetro. torna-se insensível. amargo. desiludido. pisa-se nos sonhos que se tinha. sufoca-se com o ar que se respira.

prefiro não ser fixe.

sábado, 12 de dezembro de 2015

luzes dum farol

há poucas pessoas brilhantes. mas realmente brilhantes. com a mistura perfeita de
make that difference
profissionalismo e de empatia, excelentes no que fazem mas também capazes de notar o lado humano das pessoas. e tocar nele. a não se levar demasiado a sério. humildes. inteligentes. pacientes. calmas. seguras. apaixonadas pela vida. serenas. a saber quanto valem sem a necessidade de o manifestar. a não se sentirem ameaçadas por tudo o que é diferente. a ficar admiradas perante as migalhas quotidianas da vida. e a aproveitar cada situação para conhecer, aprender, saber mais, expandir horizontes, experimentar sensações e coisas novas.

conseguem guiar-nos, sem dar a impressão de o fazer. não nos dizem como prosseguir ou o que escolher. não ficam à espera de explicações. não julgam. não insistem. não impõem nada. não questionam. não exigem. mas a expor o seu modo de pensar e os seus valores, a salientar o que é realmente importante, a colocar os pontos de interrogação nos lugares certos e estratégicos, indicam-nos caminhos. clarificam tudo. fazem-nos. empurram delicada e firmemente na direcção certeira. ou mais exatamente, somos nós que decidimos e escolhemos seguir essa direcção sozinhos. fazem perceber quem somos. e de que valores não queremos abdicar. o que queremos da vida. como o atingir. inspiram. escutam. ensinam. animam. ajudam-nos a crescer. e a melhorar.

conhecer pessoas assim é sempre um prazer enorme. e uma sorte.

domingo, 6 de dezembro de 2015

dia na vida dum stalker

a perseverança deveria ser engarrafada e vendida 
um meu conhecido costuma dizer que as pessoas não nos podem ignorar indefinidamente. que há sempre uma altura em que são obrigadas a parar. por desistência, por preguiça, por quererem ser deixadas em paz, se calhar até por ficarem impressionadas com a nossa resiliência. não importa realmente. o essencial é que parem.

há muitos anos li uma entrevista com o jack nicholson onde ele contava os inícios dele como actor. nessa altura compartilhava um apartamento com o dustin hoffman a quem disseram na escola de actores que nunca ia ser um bom actor. o dustin passava horas na cozinha a fazer o papel duma bola de bilhar e quando o jack lhe perguntava o que contava fazer, ele respondia try harder. adoro essa mentalidade.

não me acontece querer largar tudo? acontece. mais ou menos mil vezes por semana. mas isso não é razão suficiente para eu desistir. é só um pensamento que passa pela cabeça quando estou farta de tudo. algo que se liga quando as coisas estão a demorar demais. ou não correr como eu queria. nem o escuto nem lhe presto muita atenção. faz parte do pacote. não importa. é uma ninharia.

devo dizer que é - peço desculpa pelo egocentrismo - uma destas coisas de que gosto mais em mim. não abandono. quando quero alcançar algo, não se me pode desencorajar. torno-me surda à opinião das outras pessoas. vou a contracorrente. fico sozinha contra todos. só me escuto a mim. mando todos à merda porque as minhas escolhas não lhes dizem respeito. e sempre atinjo os meus objetivos. e pago também o preço deles.

claro que não funciona com debilidades - não me vou tornar jogadora profissional de tenis, porque sou velha demais. acho que se trata mais de ultrapassar barreiras. vencer as próprias fraquezas. mostrar quanto conta a força do caráter. quanto se pode decidir só. o que se tem para dizer. os sacrificios que se faz. a dedicação que se alimenta.

não se deve ser particularmente importante para fazer grandes coisas. só basta crer. e acreditar. o resto é canja. ou quase.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

e se o pai natal existisse?

uma aluna de dez anos perguntou-me hoje se eu acreditava no pai natal. porque ela acreditava, mas muitos colegas da turma diziam que ele não existia. e ela não queria que fosse verdade. hesitei no que dizer. perante coisas frágeis, esperanças e crenças, castelos de nevoeiro e tudo o que é invisível aos olhos, não se estraga tudo num gesto só. era uma acção com demasiadas consequências. imprevisíveis. a longo prazo. são coisas que já não se conseguem reconstruir outra vez. nem esquecer. nem desaprender. é como com a confiança - quando se a perde, já é impossível tê-la duma maneira tão cega outra vez. ou se calhar mesmo de todo. é estranho que se possa destruir tanto com tão pouco. com uma palavra ou até com um olhar. respondi que acreditava.

ganhar pureza
e não menti (que os puristas da verdade se fodam). claro que não acredito que haja um homem de barba branca e chapéu cor da coca-cola a distribuir prendas no fim do ano. mas deve-se olhar para o panorama completo. acredito na pureza. na inocência. na sinceridade. na simplicidade. na beleza. nas grandes aspirações. na generosidade. nos gestos pequenos, destinados a fazer melhorar o quotidiano. independentemente da forma que tomem. e de como ingénuos pareçam. e acho que ninguém tem o direito de os destruir. ou desprezar. ou denegrir. ou dizer à pessoa de parar.

são poucos os que encontram caminhos povoados com ideias puras. e que têm a força de deixar por atrás a mediocridade diária. então não se pisa nas flores que se encontra no chão.