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| sic! |
antes do natal, falei de encomendas de botas uggs pela internet com uma conhecida. ela tinha a intenção de comprar dois pares, um vermelho para uma amiga e algo de mais neutral para ela. porque ela era casada, então já não precisava chamar a atenção, enquanto a amiga, que era solteira, precisava. ponderei durante alguns segundos se lhe deveria dizer que era exatamente o contrário, que era a amiga que não precisava fazer muito para atrair a atenção dum qualquer homem e também não lhe importava tanto que fosse esse ou aquilo, enquanto era ela, dentro duma relação de 10 anos, que precisava chamar a atenção do único homem que lhe interessava. e por isso fazer montes de esforços. para não deixar a monotonia invadir tudo. é sempre mais difícil surpreender alguém que nos viu sob cada ângulo há uma eternidade, que nos consegue decorar sem gaguejar, que sabe o que vamos pensar ou fazer antes de o pensarmos ou fazermos. parece a coisa mais desejável numa relação, mas só o é nas comédias românticas americanas, onde todos são louros, bonitos, têm os olhos azuis e amam-se até ao fim do mundo. na verdade prosaica do quotidiano, a falta de inovação mata tudo. mesmo romeu e julieta não conseguiam desenrascar-se. sucumbiam à constância infinita.
atrair a atenção de alguém que nos conhece muito bem leva tudo a mais. e a muito mais. esforço. imaginação. trabalho. concessões. determinação. fantasia. perseverança. vontade. conquistar pessoas é canja. leva minutos, horas, dias, às vezes um pouco mais (eu sei que há pessoas a quem isto as ultrapassa, mas então não posso fazer nada por elas. era altura de se recomporem.). dá quantidades várias de trabalho mas mesmo assim, não é nada quando se compara ao que acontece depois da batalha. manter as pessoas conquistadas requer uma sabedoria, uma destreza, uma fineza, uma miragem, uma aura de mistério, um visionarismo, uma intuição a demolir e renascer, uma aptidão a reconstruir mundos num estalo de dedos, a ser coisas diferentes em função do momento, das necessidades, das circunstâncias. mantê-las conquistadas durante muito tempo é uma proeza.
significa mexer-se constantemente quando tudo está a apontar para já não fazer mais nada. e a maioria das pessoas escolhem não fazer nada. acham ter chegado ao porto final, onde mais nenhuma surpresa as espera, ter atingido um estado de equilíbrio inabalável que vai ficar para sempre. e depois acordam um dia sem perceber como é que lá chegaram, o que aconteceu com a relação. sem tirar conclusões nem aprender lições. é desolador presenciar isso. ver as pessoas errar tanto no julgamento, na avaliação das necessidades, na cegueira. no fundo, precisamos todos das mesmas coisas - sentir-se valorizados e apreciados, a ver que alguém acha que valemos os esforços e as concessões e a retribuirmos na mesma medida para essa pessoa. mais uma migalha de suspense que nos faça ficar com a vontade de descobrir sempre mais. que pena que aconteça tão raramente.
atrair a atenção de alguém que nos conhece muito bem leva tudo a mais. e a muito mais. esforço. imaginação. trabalho. concessões. determinação. fantasia. perseverança. vontade. conquistar pessoas é canja. leva minutos, horas, dias, às vezes um pouco mais (eu sei que há pessoas a quem isto as ultrapassa, mas então não posso fazer nada por elas. era altura de se recomporem.). dá quantidades várias de trabalho mas mesmo assim, não é nada quando se compara ao que acontece depois da batalha. manter as pessoas conquistadas requer uma sabedoria, uma destreza, uma fineza, uma miragem, uma aura de mistério, um visionarismo, uma intuição a demolir e renascer, uma aptidão a reconstruir mundos num estalo de dedos, a ser coisas diferentes em função do momento, das necessidades, das circunstâncias. mantê-las conquistadas durante muito tempo é uma proeza.
significa mexer-se constantemente quando tudo está a apontar para já não fazer mais nada. e a maioria das pessoas escolhem não fazer nada. acham ter chegado ao porto final, onde mais nenhuma surpresa as espera, ter atingido um estado de equilíbrio inabalável que vai ficar para sempre. e depois acordam um dia sem perceber como é que lá chegaram, o que aconteceu com a relação. sem tirar conclusões nem aprender lições. é desolador presenciar isso. ver as pessoas errar tanto no julgamento, na avaliação das necessidades, na cegueira. no fundo, precisamos todos das mesmas coisas - sentir-se valorizados e apreciados, a ver que alguém acha que valemos os esforços e as concessões e a retribuirmos na mesma medida para essa pessoa. mais uma migalha de suspense que nos faça ficar com a vontade de descobrir sempre mais. que pena que aconteça tão raramente.
