sábado, 11 de agosto de 2018

gratuito?

há sempre um preço, mesmo quando
não há....
recebo uma mensagem a informar-me que trovoadas estão previstas para a tarde. ligo para o meu prestador de serviços telemóveis para perguntar se foram eles que mo mandaram. acho que já me faço completamente velha porque a minha versão antiga teria primeiro insultado o gajo por me mandarem tais merdas. mas como já me aconteceu insultar para depois descobrir que não foi a culpa da pessoa, aprendi a lição. o gajo confirma que foram eles. e acrescenta que não me devo preocupar porque não cobram por isso. respondo que não quero na mesma. o gajo, surpreendido, diz que vai bloquear a saída dessas mensagens.

não percebo a lógica atrás apresentada. querer algo só porque é de graça? para quê exatamente? daria para preencher a vida com montes de merdas completamente inúteis que aliás se calhar poderiam potencialmente servir um dia, só porque mas dão... as coisas que não quero, não quero na mesma. e ponto. o de não ter de pagar não me faz sentir especialmente especial. ou nobilitada. ou valorizada. o meu ego porta-se muito bem sem. não precisa que o afoguem. ou que o aumentem. devo ser um caso não previsto pelos criadores do de borla. uma exceção não incluída nos manuais.

além disso o leszek incutiu em mim que tudo sempre tinha um preço. e que o de graça o tinha bem escondido. e por isso tão perigoso. porque só se o descobria quando era tarde demais para devolver a mercadoria. ou desistir. e a única solução era pagar. e mesmo se nem sempre era monetário, muitas vezes acabava por custar ainda mais do que se fosse. porque esforço, trabalho, energia, emoções e, sobretudo, tempo investido são coisas que nunca nos serão restituídas. nenhum dinheiro do mundo os consegue pagar ou comprar.

então quando oferecem algo gratuito, fujo imediatamente.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

c de carisma

o carisma é como um par de cuequinhas. as de renda. sedosas. delicadas. subtis. finas. suaves.

vermelhas. os amantes de preto, peço desculpa, mas ele nunca dá tanto nas vistas, não leva a mensagem de excecional, e não estou a dizer isto só porque o detesto... o preto é elegante, um elegante um pouco estéril, mas é o. e o carisma é muito mais... é explosivo. desenvergonhado duma certa maneira. a chocar com rotinas. a não chegar a meios-termos. a gostar de estar no centro das atenções. apaixonado. rebelde. malandro. a seguir o próprio caminho. a ganhar corações sem esforço nem trabalho aparente.

ou esbranquiçadas. o branco é demasiada pureza. demasiada candidez. demasiado pudor. demasiados não-toques. demasiada reserva. o carisma é um branco que se sujou. desiludido. experimentado. realista. pragmático. calculador. encantador. elegante. implícito. a conhecer as regras da vida. a saber como as usar a seu favor. a inspirar confiança. a convencer sem que as pessoas que o foram soubessem, sem que se dessem conta. 

é um decisão que tomamos. todos os dias. como a roupa que vestimos. em função do que nos apetece de manhã. dos afazeres do dia. das emoções que flutuam no corpo. das impressões que queremos causar. do resultado para se atingir. é uma peça de roupa interior que não tem nada a ver com o que usamos em cima. e que podemos pôr ou tirar a qualquer momento, de acordo com o estado de exuberância e de vibração desejado. é algo que ativamos. inibimos. doseamos. corrigimos. trocamos. depende só de nós. é uma bebida cujas proporções escolhemos. modificamos em função das circunstâncias, das pessoas, do humor, do  estado da alma. não há uma receita única. nem uma maneira de fazer esquisita. somos nós os alquimistas. que responsabilidade. e que divertimento.

parece interesseiro demais? oportunista demais? pois... porque o é. mas é como com um assassino e um cirurgião. ambos têm uma faca na mão, mas os resultados das ações de cada um vão ser diferentes. é o fim que conta. e é uma vantagem imensa quando se candidata a um trabalho. quando se lidera pessoas. quando se quer melhorar relações. quando se convence. é o que faz as pessoas gostarem de nós. confiarem em nós. seguirem-nos.

e a parte mais engraçada é que somos nós que decidimos se queremos produzir todo esse efeito. ou não.