hoje vi uma publicação onde o autor dizia que já não tinha idade para ir ao casino. que esse período da vida dele já tinha acabado. fechou o capítulo para sempre. não percebo muito bem essa linha de pensamento. e não estou a falar de casinos. mas já que estamos a abordar o tema, sempre os achei uma perda de tempo total. em vez de esperar ou rezar pela sorte, prefiro criar situações em que ela se possa manifestar. é muito mais engraçado. e gratificante. além disso adoro a minha rotina diária. não preciso fomentá-la com excursões a lugares atapetados, involucrados em luzes azuladas e no tlim, tlim dos copos onde o suor das invejas doentias se enrola aos pescoços e acaricia os egos, meio-cachecol macio, meio-serpente.
a linha de pensamento é a de achar que se é demasiado velho para algo. de dividir ou de medir a vida em função de um número que não significa muita coisa. as coisas que acho idiotas, sempre as achei idiotas. as que acho fixes, sempre as achei fixes. independentemente da idade que tinha. claro que alguns gostos mudaram. afinaram-se. mas o fundo tem ficado o mesmo. os centros de interesse têm ficado os mesmos. a coerência intelectual e emocional, os valores, é algo que deveria ficar alinhado com quem somos durante toda a vida. é como quando fui comprar uma carteira pela última vez. estive a hesitar entre um cor de rosa vibrante, um roxo sublime e um azul forte. a empregada trouxe-me mais um modelo num castanho horroroso e num preto aborrecido e, quando perguntei se não havia outras cores, comentou: pois, a senhora gosta de cores de crianças. nunca tinha ouvido essa nomenclatura, mas se é assim que se chama, gosto de cores de crianças. assumo plenamente.