| sensações vivas |
estou sentada fora. embrulhada no preto da noite (por uma vez gosto de preto). vestida do calor que pega na pele e na alma, reconfortante e prometedor. a batida das ondas a acompanhar os meus pensamentos (surpreendem-me sempre os impulsos da natureza quando supostamente deveria estar a recuperar forças...). as estrelas a piscar timidamente. os lampiões a indicar por onde passar, um pequeno oásis luminoso no sério do escuro, no tranquilo da vegetação, na solidão da noite. uma rã a coaxar de vez em quando, como se quisesse gritar mais forte que o mar, distinguir-se na natureza, reivindicar o seu espaço. os olhos a adaptar-se à visão restringida. a pele a gozar dos toques do ar. o coração em paz e leve a perceber a sorte que tem de estar num lugar tão deslumbrante. de poder mergulhar numa calma quase absoluta. de ter espaço e silêncio para se auto-avaliar.
tenho-me sempre perguntado se pessoas vivendo em lugares paradisíacos estavam conscientes do privilégio que tinham ou se só a brevidade do tempo fazia realmente valorizar as circunstâncias e as coisas da vida. então só posso falar por mim. e eu de certeza valorizo. e adoro todos estes momentos em que me sinto em equilíbrio e em sintonia com tudo. quase completa. a alimentar-me da beleza do mundo. a acariciar o quotidiano. a perder-me na pureza, nas sensações. a avaliar. a fazer planos. a identificar fraquezas. a reiterar pontos fortes e observações. a ponderar como fazer. mas sobretudo a divertir-me com o que tenho. a ficar grata por isto. a sentir-me feliz. tão feliz que queria que o momento durasse. eternamente.