num domingo na farmácia.
o meu champô parece ter mudado de embalagem e como agora há versões diferentes preciso de uns minutos para poder cheirá-los todos e decidir o qual é o meu.
o farmacêutico, na altura de pagar: a senhora não leu bem. isso é a versão para homem (sim, uso um champô para homem e então?)
eu: sim sim. vi. li. já consigo ler há alguns anos. não sem dificuldades e só as maiúsculas, mas desenrasco-me.
ele: então não quer comprar isso. a versão para mulheres garante mais volume.
olho suspeitosamente para ele, como se fosse um gnomo sentado debaixo dum cogumelo enorme.
eu: viu o meu cabelo? já tem tanto volume per se que o podia distribuir a todas as pessoas que estão cá e ainda me sobraria volume a mais para mim... e a única coisa garantida na vida é a morte...
ele: tem razão... mas deixe-me apresentar os benefícios adicionais - a versão para mulheres custa 5 pln menos.
eu: mas cheira mal. não quero.
ele: percebo. sabe qual é a ligação entre o cabelo das mulheres e os homens?
nesta altura o gnomo que ele parece na minha imaginação levanta-se e começa a sapatear.
eu: não.
ele: os homens gostam de enterrar o nariz no cabelo das mulheres.
a sapateada do gnomo está acompanhada de piruetas.
eu: isso foi cientificamente comprovado?
ele: não sei.
eu: muito bem. então por enquanto e como se trata do meu cabelo, vou decidir como vai cheirar. Posso?
ele: pode, claro.
eu: obrigada. então quero pagar se for possível...