segunda-feira, 8 de julho de 2024

sorte?

a sorte é algo que se constrói. que se cria. que se compõe. se calhar mesmo que se provoca. é só de nós que depende se e quando ela aparece. claro que não porque temos o poder de controlar o nosso quotidiano, mas porque podemos decidir qual será a nossa relação com ele. somos nós que a definimos. os sentimentos, os pensamentos, as reações. é a pouca liberdade que temos. há sempre uma escolha para se fazer. a de levar uma vida que seja conforme às nossas aspirações. aos nossos valores. às nossas necessidades. há sempre uma maneira de encontrar significados no que nos está a acontecer. mesmo que seja completamente absurdo. que as nossas circunstâncias sejam favoráveis ou desfavoráveis, a escolha de como vamos reagir é só nossa. e se este enfoque, esta maneira de se posicionar, esta mudança do equilíbrio aparente fosse suficiente para mudar as coisas?

talvez os esforços tenham de passar por outra coisa do que a tentativa derisória de termos um impacto nas circunstâncias, no ambiente. cada prova que atravessamos é um desafio para o nosso desejo de haver sentido na vida. quando a sorte parece não estar do nosso lado, é preciso vê-lo como uma oportunidade. e não uma falha. assim vamos poder reavaliar ou questionar o nosso caminho. está certo? errado? que erros cometemos? que oportunidades não estivemos a ver? de que expetativas tínhamos ficado presidiários? o azar, uma vez que o choque inicial tenha passado, oferece sempre a ocasião de melhorar. de fazer de forma diferente. de se tornar mais criativo. de sair fora da caixa.

que a vida venha, me pegue pelo cachaço 
e me leve onde isso for conveniente para
a vida
enquanto às capacidades de resistências - que alguns teriam a sorte de possuir, contrariamente aos outros - são coisas que sempre se podem aprender. desenvolver. afinar. uns podem começar com mais defesas do que outros, mas nem sempre deve ser assim. só de nós é que depende que competências adquirimos. e que ignoramos. e se fosse isto a nossa sorte? a de poder escolher de não ficar parado. suspenso. passivo. a de saber que a última palavra na abordagem é nossa. que sempre dá para fazer algo das peças que temos. este ângulo leva-nos para um mundo de responsabilidade. de ação. de mudanças. de dinamismo. e não da submissão cega a pensar que não há nada para se fazer. e que a sorte não está do nosso lado. os que parecem ter muita sorte, é sempre algo imputável. ela não é um evento externo fortuito, mas um fator interno. uma atitude ou um comportamento escolhidos pela pessoa. uma vontade de ultrapassar. de dominar a situação. de fugir ao status quo.

o mais importante é deixar de esperar que algo magicamente mude a situação. que um dia tenhamos mais sorte. que as configurações divulguem elementos favoráveis. só ao abandonar essas ideias é que nos podemos comprometer de maneira consciente e lúcida na procura da sorte. sic. a sorte é algo que se procura. todos os dias. e do início. é um trabalho diário. não algo que caí do céu de vez em quando. e que está reservado para uma minoria especial. a sorte não depende de elementos externos. mas, sim, de elementos internos. o mais importante sendo o nosso nível de comprometimento. 

et si la chance sourit aux audacieux, ayons l'audace de la provoquer!

Sem comentários:

Enviar um comentário