segunda-feira, 10 de novembro de 2014

partida, largada, fugida!

simples, não?
gosto do que tenho. gosto do que não tenho. gosto do que perdi. de todos os erros que fiz. de cada contradição que me faz. aprendi a ziguezaguear entre elas. a juntá-las num tudo sem arriscar explosões. a priorizar quando os elementos se contradizem. a reconhecer os sinais de socorro antes de que apareçam. a ouvir-me. a adivinhar-me. a perceber-me. a surpreender-me. a confiar em mim.

gosto do simples. de linhas limpas. de texturas lisas. de detalhes modestos. de estilos minimalistas. de sabores distintos e pouco complicados. de pratos cozidos numa só panela. de água sem gás, gelo, palhas ou rodelas de limão. de vestidos curtos e monocromáticos. de cabelo solto. de coisas quotidianas. de céus estrelados. de maresia preenchendo cada milímetro do corpo. de silêncios cúmplices. de situações óbvias. de frases claras. de respostas sucintas. de forma mínima com conteúdo máximo.

não manipulo as pessoas. não faço chantagens emocionais. não uso ninguém para preencher inseguranças ou vazios afetivos. não me penduro emocionalmente aos pescoços. não vejo o sexo como parte dum sistema complexo de punições e recompensas. não tenho medo de enfrentar a vida. ou se calhar às vezes tenho, mas acabo sempre por responder ao desafio. costumo começar por procurar as soluções dentro de mim. por ver se o destino e eu concordamos sobre o que ele está a trazer-me.

quando não gosto do que ouço ou vejo, digo-o. quando quero uma coisa, pergunto diretamente. não fico à espera que alguém o adivinhe. respeito o tempo das outras pessoas e o meu. aviso sobre as minhas intenções. quando quero que um homem me dê os parabéns de aniversário, informo-o no dia anterior. formulo perguntas de maneira clara, para receber respostas unívocas. não quero mentiras. nem histórias de merda. nem palavras evasivas. não preciso que alguém concorde sempre comigo. não me sinto ameaçada porque uma pessoa é mais magra, jovem, inteligente, bonita ou divertida.

é a melhor parte do processo de se tornar mais velho - chegar a um ponto em que se gosta incondicionalmente do que se tem na cabeça.

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