quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

kamikaze

há encontros que marcam. personalidades que saem do comum. indivíduos com zelo e um certo je ne sais quoi. irresistíveis na sua confusão e petulância. insolentes. quebradores de regras. desrespeitadores de princípios. tal o meu taxista que chegou atrasado.

ao ouvir que tínhamos só uma hora para atravessar a cidade toda na altura do pior trânsito, pediu-me que eu deixasse imediatamente de falar com ele porque ele ia focar-se na condução. e no acelerador. seja. um senhor distinto, de cabelo branco, mais provavelmente na casa dos 70 anos. a conduzir com a fantasia e a despreocupação de alguém que faz as coisas pela primeira vez na vida.

passamos com o vermelho (às vezes, é a única coisa que se pode fazer), viramos na esquerda da faixa de direita (com a janela aberta e o meu taxista a gritar temos de apanhar um avião em 20 minutos a todos os motoristas que nos estavam a insultar), praguejamos um bocado (peço desculpa, mas às vezes, faz tanto bem), demos 130 (acho que aqui o limite deve ser 120), e acabamos por chegar em 55 minutos.

sugeri que como eu ainda tinha tempo, dava para recomeçar a manobra.

acho que, entre o de lisboa a me recomendar livros e o desta vez, tenho muita sorte com os taxistas.

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