perguntei a um amigo que tem muita experiência em falar em público como se desenrascava com pessoas que estavam a escrever ou a ler coisas nos telemóveis durante as apresentações que fazia. respondeu que ou as forçava a responder a perguntas sobre o que foi dito ou se deslocava para ficar perto delas e para que tivessem vergonha. fiquei impressionada. e muito. pareceu-me um conselho genial. com classe. uma maneira hábil e subtil para lindamente solucionar uma situação desconfortável. pelo menos para as pessoas que estão interessadas em outra coisa que não só receberem dinheiro pelo trabalho que fazem, sem se importarem com o resto. uma execução que só vem com anos de prática e de tentativas para descobrir o que funciona e o que não. já me projetava, muito contente, a fazer a mesma coisa. mas a ponderar em que situações o ia usar, percebi que esse conselho fantástico tinha um problema e um problema só - não era para mim.
é uma situação desoladora, a de descobrir que algo, mesmo que pareça ser o cúmulo dos nossos sonhos, mesmo que tenha tudo o que é preciso para as coisas correrem lindamente, mesmo que apresente um potencial inegável para simplificar a nossa vida, simplesmente não chega. não é feito para nós. não é aplicável para a nossa realidade. não corresponde a quem somos. é sempre uma lamentação saber que não se possa aproveitar da experiência das pessoas que já passaram pelo mesmo. que já afrontaram dificuldades semelhantes. e triunfaram. teria sido mais simples segui-las que procurar o seu próprio caminho. sem ter a certeza de o conseguir encontrar. é ter essa ferramenta fantástica na mão, quase a contar os segundos e minutos que nos separam do alcanço do nosso objetivo, mas a saber que nunca se a vai poder usar. paciência...
fazer coisas contra si próprio tem um preço tão alto que nem vale a pena tentar. custa baldes de energia. queima vivo. estraga a paz mental. não deixa ser bom no que se faz. nem mesmo medíocre. apaga tudo. faz esquecer tudo. mata a criatividade. começa por controlar a pessoa. é uma armadilha. é preciso evitar. e por muito que eu gostasse de fazer tudo de maneira suave, subtil e com classe, não vai acontecer. tenho outras preocupações primárias que as de não brutalizar as pessoas. ou que as que todos gostem de mim. sou feita de outra coisa. e independentemente de quão bom um conselho, se ele não incorporar nele o meu gosto pela confrontação imediata e pela não perda do meu tempo, nunca o vou poder usar.
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| circunstâncias perfeitas? |
fazer coisas contra si próprio tem um preço tão alto que nem vale a pena tentar. custa baldes de energia. queima vivo. estraga a paz mental. não deixa ser bom no que se faz. nem mesmo medíocre. apaga tudo. faz esquecer tudo. mata a criatividade. começa por controlar a pessoa. é uma armadilha. é preciso evitar. e por muito que eu gostasse de fazer tudo de maneira suave, subtil e com classe, não vai acontecer. tenho outras preocupações primárias que as de não brutalizar as pessoas. ou que as que todos gostem de mim. sou feita de outra coisa. e independentemente de quão bom um conselho, se ele não incorporar nele o meu gosto pela confrontação imediata e pela não perda do meu tempo, nunca o vou poder usar.

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