sábado, 21 de janeiro de 2017

início

acho crucial lembrar-se como se começou. todas as vezes que a monika e eu
rappelle-moi qui je suis,
ce que je m'étais promis.
zaz
vamos ao cinema mais perto de casa mencionamos a sorte que temos em ter um carro e poder de lá voltar à noite em menos de 10 minutos. há 15 anos, eram 10 minutos a pé até à paragem de autocarro mais próxima onde só havia um que passava com pouca frequência. por isso muitas vezes foram seguidos de 10 adicionais, para chegarmos a outra paragem que dava mais possibilidades. era sempre pela meia noite. não havia quase ninguém na rua. as temperaturas frequentemente baixas. e quantas vezes tínhamos de fazer um sprint louco a ver o autocarro ao longe para não termos de esperar não sei quanto tempo pelo próximo. são memórias queridas e puras de tempos em que se estava contente com tudo o que se tinha. e em que se precisava de pouco para se ser feliz.

tenho ficado grata por todas as boleias que recebi. lembro-me do primeiro inverno em que trabalhava a tempo inteiro, o mercúrio nos termómetros desceu até aos 27 graus negativos durante duas ou três semanas e o leszek vinha apanhar-me depois do trabalho. desde que tenho um carro gosto de dar boleias às pessoas que precisam. ou só para lhes facilitar a vida nem que seja um bocado. são só dez ou quinze minutos na maioria dos casos, às vezes um pouco mais. esse tempo não é nada. todos conseguem encontrá-lo no dia a dia de vez em quando. só é preciso querer. o que importa realmente é quanta diferença isso faz para as pessoas. gosto de ver os sorrisos, os olhares surpreendidos. quando se teve sorte, e independentemente da área, é preciso retribuir. ajudar as pessoas que tiveram menos. espalhar o bem. ser generoso. dar impulsos para cima aos outros. ter o coração sincero e honesto. e as mesmas ideias na cabeça. nunca se esquecer das pessoas que moldaram a nossa sorte, que nos ensinaram como a encontrar. não se deixar corromper por nada. nem ninguém. procurar o simples. ser fiel a si próprio. não fazer as coisas que se despreza.

a única coisa que nunca se nos pode tirar é quem somos. só podemos escolher abdicar disso sozinhos, por estupidez.

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