sábado, 30 de junho de 2018

verweile doch! du bist so schön

sensações vivas
estou sentada fora. embrulhada no preto da noite (por uma vez gosto de preto). vestida do calor que pega na pele e na alma, reconfortante e prometedor. a batida das ondas a acompanhar os meus pensamentos (surpreendem-me sempre os impulsos da natureza quando supostamente deveria estar a recuperar forças...).  as estrelas a piscar timidamente. os lampiões a indicar por onde passar, um pequeno oásis luminoso no sério do escuro, no tranquilo da vegetação, na solidão da noite. uma rã a coaxar de vez em quando, como se quisesse gritar mais forte que o mar, distinguir-se na natureza, reivindicar o seu espaço. os olhos a adaptar-se à visão restringida. a pele a gozar dos toques do ar. o coração em paz e leve a perceber a sorte que tem de estar num lugar tão deslumbrante. de poder mergulhar numa calma quase absoluta. de ter espaço e silêncio para se auto-avaliar.

tenho-me sempre perguntado se pessoas vivendo em lugares paradisíacos estavam conscientes do privilégio que tinham ou se só a brevidade do tempo fazia realmente valorizar as circunstâncias e as coisas da vida. então só posso falar por mim. e eu de certeza valorizo. e adoro todos estes momentos em que me sinto em equilíbrio e em sintonia com tudo. quase completa. a alimentar-me da beleza do mundo. a acariciar o quotidiano. a perder-me na pureza, nas sensações. a avaliar. a fazer planos. a identificar fraquezas. a reiterar pontos fortes  e observações. a ponderar como fazer. mas sobretudo a divertir-me com o que tenho. a ficar grata por isto. a sentir-me feliz. tão feliz que queria que o momento durasse. eternamente.

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