| tempestades aparentes |
agora consigo não estragar nada. não destruir nada. dispo-me das emoções avassaladoramente negativas. tiro-as cuidadosamente. pouso ao meu lado. observo-as. vejo-as tremer. palpitar. sem ligar. é como se não fossem minhas. como se eu não me identificasse com elas. como se não houvesse urgência nenhuma. como se nada importasse. como se nada me pudesse chatear. não estou a dizer que isso não me custe. que os pensamentos antigos não me passem pela cabeça. que a tentação de cair neles mais uma vez não seja imensa. e às vezes mesmo caio durante uns segundos. era muito mais fácil assim... mas decido passar a outra coisa porque já consigo ver nas minhas inseguridades emocionais. encontrar um caminho no labirinto das deceções. navegar sem bater em nada. apagar o sal das lágrimas passadas sem o sentir na boca.
desenho um traço firme entre o passado e o presente. entre a criança e o adulto. entre a ilusão e a realidade. entre a paixão e o juízo. entre a chamada do inconsciente e o consciente. entre o veneno e o antídoto. entre o grito e o silêncio. não questiono nenhum fundamento. não procuro falhas. não me esqueço do essencial. faço uma pausa de mim. das minhas emoções e raivas. pego nelas. examino-as meticulosamente. apalpo-as. peso-as com a mão. acaricio-as para que se lhes passem os medos. as angústias. as tristezas. as fracturas. os desapontamentos. as cicatrizes.
já valorizo umas coisas mais do que o facto de eu ter razão e não quero pôr tudo em risco. já aprendi a apagar certos pontos de interrogação quando a minha intuição não os ditava. já me sinto responsável pelas minhas escolhas. já não recuo a mentir-me que estou a avançar.
assumo-me. muda todas as perspetivas.
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