quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

perder-se

caminhos inesperados
o mais interessante que pode sempre acontecer quando se viaja (que seja física ou mentalmente) é perder-se. a imprevisibilidade, a falta de expetativas, a expatriação do plano previsto, a presença do desconhecido aguçam os sentidos. tornam-nos menos cegos. menos surdos mais atentos. mais curiosos. deixamo-nos de merdas para enfrentarmos o momento presente. quando não controlamos o que está a acontecer, notamos muito mais. não nos afogamos nos predefinidos. nas supostas certeza. não passamos ao lado das coisas pequenas. dos gestos pequenos. de repente precisamos depender da natureza. das pessoas que encontramos. de nós próprios.

ao deixar o controlo, paradoxalmente, tomamo-lo. sim nada está a correr segundo o plano. não sabemos o que fazer. onde ir. não alcançámos os objetivos antecipados. pior mesmo: já nem temos objetivos. o único que importa é desenrascarmo-nos para encontrar o hotel ou um lugar qualquer para dormir durante a noite. mas ao abandonar as intenções, a cegueira obcecada do que absolutamente devia acontecer, mas nunca vai, encontramo-nos a nós próprios. ficamos mais livres. começamos a ouvirmo-nos. a perguntar o que queremos. a questionar as nossas escolhas. a ver opções para as quais nunca teríamos olhado. vemos quanto se consegue descobrir a adaptar-se às circunstâncias em vez de as forçar a serem o que queremos.

a ficar fora da nossa zona de conforto, fora da nossa zona de controlo, alargamos o nosso campo do possível. e é sempre das melhores coisas que podem acontecer. 

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