domingo, 24 de fevereiro de 2019

(não) crescer

descanso...
fiquei dececionada ao descobrir a profundeza das diferenças, que parece aumentar com o passar do tempo, entre os meus amigos da infância e da adolescência e eu. diferenças de tipo que se forem confrontadas, partem tudo. não se as consegue juntar numa consonância de opiniões que possam coexistir pacificamente. porquê? porque tocam no essencial da existência. na escolha do que se quer e do que não se aceita. na tolerância do oposto mesmo quando parece completamente absurdo. crescemos em direções diversas. diferentes. e o pior para mim (ou pelo menos o que me sempre pareceu pior) é que os meus amigos pararam num lugar de que gostaram e eu nunca o vou encontrar. não porque sou mimada ou não sei o que quero, mas porque não me interessa. o meu lugar é a exploração. o desenvolvimento. a descoberta. constantes e permanentes. algo que eles não percebem. e que lhes ameaça duma certa maneira, mesmo que seja inconscientemente, porque questiona a falta de movimento deles. não percebem porque me estou mexendo constantemente. destruindo coisas. construindo coisas. procurando sem nunca encontrar. tentando opções. parecendo nunca quieta. nunca satisfeita. nunca feliz. enquanto gosto da minha vida e das minhas escolhas.

sempre detestei essa parte de julgamento. a de ter a impressão que as minhas decisões nunca são aceites. que estou apontada por não caber no molde. dá-me completamente igual quando vem de pessoas que não me importam, mas detesto quando vem de pessoas que considerava amigas. dececionaram-me muitas vezes por isso e perguntava-me se eram pontes para serem queimadas. e é de onde veio o meu crescimento inesperado. é fantástico ter na vida pessoas que nos apoiam e incentivam. que nos ajudam a explorar os nossos limites. que têm os mesmos valores. que estão no mesmo lugar de desenvolvimento pessoal. na mesma etapa evolucional. durante muito tempo achei todo outro tipo de relações uma perda de tempo. as pessoas com as quais eu não aprendia nada, via-as como uma perda de tempo. mas descobri que nem todas as relações deviam fazer crescer. que o desafio de crescimento era reservado só para uma parte delas. outras deviam oferecer conforto e deixar descansar. nas memórias e histórias conjuntas. no passado comum. nos presentes divergentes. o meu erro foi desvalorizá-las. porque também cumprem as suas funções e tê-las é uma sorte. é mais uma questão de calibrar as expetativas e o investimento emocional.

nem todos querem comprometer-se a evoluir e a procurar a melhor versão de si próprios. é preciso valorizar o que nos oferecem, mesmo que não seja o que mais nos alimenta. o meu estado preferido é a agitação. paciência...

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