quinta-feira, 15 de agosto de 2019

(contra)producente

demasiado tudo...
a maioria das pessoas gosta de elogios. sente-se animada quando se acredita nela. alimenta-se de sucessos. faz mais quando as coisas estão a correr bem. quer trabalhar com pessoas agradáveis. sem pressão. sem prazos. sem confusão. sem animosidade. dá o seu melhor em ambientes pacíficos em que se sente valorizada e estimada. está disposta a esforçar-se quando sabe que os outros estariam dispostos a fazer o mesmo por elas. 

francamente, não percebo nada disso... não sei explicar... não sei dizer porque funciona... enfim, em teoria eu sei... mas na prática não consigo entender... posso enumerar os efeitos psicológicos benéficos. o bem que faz ao ego. como faz crescer asas. o problema é que o meu ego se porta extremamente bem sozinho. já está desenvolvido ao máximo. não precisa nada mais. não sei adaptar-me a esses contextos bucólicos e sentir o que, supostamente, manda a lei. ou pelo menos o que a maioria manda. não sei ser assim.

eu funciono é com motivação negativa. tão maluco e incrível quão possa parecer. quando as situações se complicam, quando as coisas se tornam difíceis, quando as pessoas desconfiam e deixam de acreditar, quando nada corre como se esperava, quando deceções e erros se sucedem, quando se bate com a cabeça no impossível, no invisível, no desesperado, é quando eu fico animada. encantada. entusiasmada. leve. calma. determinada. cheia de ideias. com planos a e b. com visões de êxitos. de sonhos realizados. é o que me dá asas a mim.

quando algo inesperadamente negativo acontece, claro que não gosto no início. mas dura uns 30 segundos. depois recomponho-me, quase imediatamente. e começo a encontrar soluções. a vontade de desafiar o que sucedeu é mais forte do que tudo o resto. a vontade de mostrar que sou eu que tenho a última palavra silencia os outros pensamentos. o espírito da caça, da competição com eu própria, uma vez despertadas indicam o caminho para eu seguir.

nunca conseguiria fazer o mesmo se as coisas estivessem a correr lindamente. quando tudo é fácil, bonito e alcançável, qual é o propósito de se mexer? quando já sei que vou poder alcançar, não tem piada nenhuma...

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