quinta-feira, 15 de julho de 2021

assimetrias solares

amanhãs inesperados
acho a simetria chata. óbvia. demasiado bem arranjada. sem nenhum encanto. sem riscos. sem desenvolvimentos inesperados. pouco criativa. insuficientemente misteriosa. não estou a dizer que não pode ser bonita. pelo contrário. mas além da beleza, não inspira a fazer explorações. incita uma curiosidade limitada. não põe a questionar. não alimenta a sede de fazer de outra maneira.  não faz valorizar ao máximo o que se tem. 

adoro o verão. o sol. o calor. a praia. o mar. as temperaturas em cima dos 28 graus fazem-me ficar extasiada. eufórica. dão-me a impressão de conseguir levantar montanhas. de ter ainda mais energia. de ser mais leve. mais perspicaz. mais divertida. tornam as dificuldades muito mais aguentáveis. convidam a desafios. estimulam intelectualmente.

e claro que preferia ter este tempo todos os dias. com uma exceção. as ilhas. cá, mesmo no meio do verão e do calor, há outras regras. o vento traz coisas diversas. e inesperadamente. pode-se começar com nuvens e chuva para eles desaparecerem uma hora mais tarde e o dia continuar como se elas nunca tivessem existido. ou uma trovoada pode rebentar de repente no meio duma tarde ensolarada. se prefiro a instabilidade do tempo à estabilidade? claro que não. mas gosto da humildade que o imprevisível traz. a não ter algo todos os dias tem-se a garantia de não o tomar por garantido.

e gosto também da indomabilidade das ilhas. do facto que, no fundo, nunca se consegue prever tudo. planear tudo. há sempre variáveis que ficam fora do controlo. um encanto um pouco selvagem. rústico. trémulo. que se esconde e reaparece quando lhe apetecer.  sem se preocupar com o politicamente correto. ou com as expetativas. livre. despreocupado. egoísta. a dançar no ritmo do vento. a desaparecer no brilho do sol. a mergulhar na espuma das ondas. a reaparecer só para desatar a rir. e perder-se outra vez.

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