sábado, 23 de julho de 2022

surpresas onde menos esperamos

pollença, maiorca
durante muitos anos sempre imaginei a maiorca como um lugar pouco interessante. demasiado turístico. cheio de alemães e ingleses de tamanho baleia. avermelhados pelo sol. as mulheres com as mamas soltas e a pendurar até aos joelhos. o tipo de coisas que é melhor evitar por razões estéticas. sobretudo quando se quer descansar. e recarregar baterias. mas, em boa verdade, essas coisas já infelizmente existem por todos os lados com a globalização do turismo. e a parte crucial é saber fugir delas em busca de mais autenticidade.

com esses meus preconceitos, a ilha apanhou-me desprevenida. pelas coisas para se descobrir. pelo espírito não conformista. pelo lado um pouco descarado. pela individualidade. pelo ritmo. pela amabilidade das pessoas. no final de contas as ilhas têm sempre as próprias regras. obedecem aos caprichos dos ventos. do mar. do sol. do sal. da chuva. do infinito. do orgulho. da territorialidade. da paixão. das saudades. 

acho que portugal continua sendo o meu primeiro amor. o que toca no fundo do meu ser. da alma. que põe calor no coração a vibrar. que nunca dececiona. mas a maiorca está a tornar-se num segundo. e por razões completamente diferentes. mas na essência as mesmas. a minha paixão pelas ilhas de certeza tem um papel nisto. nunca se sabe exatamente o que esperar delas. o que vai acontecer. é preciso estar atento. ouvir. tentar antecipar. adaptar-se. adivinhar o humor. consolar. sussurrar. cuidar. tudo isto lambido pelo azul infinito. e a promessa dum amanhã salgado na boca mas leve no coração.

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