gosto de chuva. sobretudo com temperaturas quentes. do cheiro doce e
pegajoso que invade tudo. da sua impertinência e falta de compaixão. da sua indiferença e indelicadeza. da maneira como obriga o mundo a
adaptar-se, a mudar de ritmo, a inventar soluções. da intimidade que
cria. da privacidade que empresta. do conforto breve que oferece e que só alguns
conseguem ver.
não gosto de ouvir chuvadas enquanto durmo. não consigo dormir com barulho.
são noites perdidas, longas e melancólicas, quando já se sabe
que o sono ficou num abismo, atrapalhado nas gotas e outras
complicações atmosféricas, e não vai chegar a horas. não há
nada de bom a esperar. nem gosto do cheiro da terra quando chove. é uma
sensação metálica que me passa langorosamente pelos dentes e fica
durante mais tempo do que queria. um aroma sombrio, iludindo que na
vida há coisas que deviam ficar escondidas nos fundos das consciências,
das almas, dos corações.
há uma canção que me fez sempre sonhar com viagens, e que diz see the jungle when it's wet with the rains. e tive a sorte de a ver. o verde parecia mais verde, o ar vibrava de maneira quase palpável, ouvia-se barulhos estranhos de todos os seres que estavam prontos a começar de novo. a caminhar, a continuar, a reconstruir o que a chuva tinha destruído, a retomar hábitos, a viver. essa água caída era só uma pausa, uma paragem ditada pela natureza, um momento para afinar as estratégias e retomar forças. e a última gota espalhou uma camada de majestade e a de esperança sobre tudo. que chegada!
a chuva é uma viagem. uma viagem em que se vai a um lugar profundamente escondido, porque há coisas que perdem o sabor quando são compartilhadas. uma viagem feita na mais grande descrição dum véu protetor de gotas, que adormece a realidade e facilita reencontros. com o que perdemos para sempre. com as promessas feitas. com os desejos mais secretos e taciturnos. com esperanças para um futuro melhor.
não gosto de ouvir chuvadas enquanto durmo. não consigo dormir com barulho.
| fidèle au poste, independentemente das circunstâncias |
há uma canção que me fez sempre sonhar com viagens, e que diz see the jungle when it's wet with the rains. e tive a sorte de a ver. o verde parecia mais verde, o ar vibrava de maneira quase palpável, ouvia-se barulhos estranhos de todos os seres que estavam prontos a começar de novo. a caminhar, a continuar, a reconstruir o que a chuva tinha destruído, a retomar hábitos, a viver. essa água caída era só uma pausa, uma paragem ditada pela natureza, um momento para afinar as estratégias e retomar forças. e a última gota espalhou uma camada de majestade e a de esperança sobre tudo. que chegada!
a chuva é uma viagem. uma viagem em que se vai a um lugar profundamente escondido, porque há coisas que perdem o sabor quando são compartilhadas. uma viagem feita na mais grande descrição dum véu protetor de gotas, que adormece a realidade e facilita reencontros. com o que perdemos para sempre. com as promessas feitas. com os desejos mais secretos e taciturnos. com esperanças para um futuro melhor.
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