quinta-feira, 21 de maio de 2015

não, obrigada

não sei de onde é que os homens têm aquela ideia que as mulheres gostam de receber flores. eu não gosto. e quando acontece, sinto essa pressão de ficar contente, mas todas as vezes que estou à procura daquele sentimento na minha cabeça, ao ver as flores, é, com alguma perplexidade, que não o encontro. todos os parâmetros em volta de mim estão a indicar que estou a assistir a um momento agradável, mas não consigo carregar no botão contentamento. olho para as flores e pergunto-me quem é que poderia ficar realmente contente, a não ser que seja botânico? não tenho nenhuma ideia porque é que eu poderia querer receber flores.

para começar - não se podem usar para nada. são algo de completamente inútil. e cheiram. tenho o nariz extremamente sensível. e o olfacto é o meu sentido mais desenvolvido em que me baseio para descobrir o mundo (e os homens de que gosto ;) ) então não aguento coisas que cheiram em permanência. ou de maneira muito intensa. é cansativo. velas perfumadas e incenso dão me dores de cabeça horríveis num espaço de três minutos. além disto, é trabalho a mais. são viagens diárias entre a sala e a casa de banho para mudar uma água fedorenta, em que pétalas e folhas se perdem no caminho e depois é preciso limpar tudo. não tenho vida para isso.

prefiro receber chocolates. são práticos, simples e comestíveis. não necessitam a minha atenção nem os meus cuidados intensivos. posso esquecer-me deles quando não apetecem, só para descobrir o prazer de os encontrar de novo mais tarde. como me disse ultimamente uma agente de imigração, ao perguntar-me que tipo de comida eu estava a levar para os estados unidos: chocolate is always welcome. 

it is, indeed.

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