quinta-feira, 9 de junho de 2016

vox populi?

dono da situação
uma das perguntas às quais todas as pessoas devem responder a si próprias numa altura ou outra é para quem vivem. quem escolhem ouvir. cujas expetativas vão preencher. quem querem ser na vida. não profissionalmente, não socialmente, não humanamente. mas egocentricamente. nas suas cabeças. definir-se assim faz parte de se tornar adulto. ensina responsabilidade. faz tomar decisões das quais não se gostava no início. obriga a deixar para atrás pessoas que não nos tratam como manda a lei. faz olhar para a realidade tal como é, sem embelezar nem suavizar. sim, deixa um sabor amargo na boca. mas já não se perde. só se a limpa depois para que seja o mais aguentável possível. também para conseguir esquecer-se temporariamente dele.

todos chegamos à conclusão quem somos. mais cedo ou mais tarde. não acredito que não se o saiba. é só que a maioria das pessoas prefere fingir que nunca aconteceu. começa a acelerar o passo, olha numa outra direção e espera que os outros não tenham notado nada. ou mente sobre o que descobriu. escolhe viver uma ilusão. ser outra pessoa. impõem-se limites. regras. fantasias. em nome de quê? duma paz interior? duma acertação geral? duma sensação de fazer parte dum tudo? dum medo de dececionar, sobretudo a si próprio? preferem ser falsas. acham isso um menor mal. julgam oferecer o melhor de si. optam por esconder as partes que acham feias. ou vergonhosas. e quando a fachada cai, o que sobra? nada.  nicles. zero. é que tudo isso vale pouco quando não se tem a coragem de se assumir.

eu sei, é tão fácil dizer tudo isso quando não se vive dramas verdadeiros que se pudesse querer esconder. mas o problema é que, ao resguardar algo, é a pessoa que o faz que qualifica sozinha o tal algo de vergonhoso. indica que tem razão para o fazer. predefine o que acha indesejável. diminui-se sem que lho peçam. pede desculpas antes do tempo. conclui sem nunca apresentar argumentos. sinaliza algo de errado, de mau, de impróprio. mas esse errado, esse mau e esse impróprio começam na sua cabeça. e ditam isso aos outros. torna-as presidiarias sem muros. cria obstáculos invisíveis. arruína a noção que têm de si próprias.

é difícil sentir-se rejeitado pela sociedade. é difícil saber que não se tem as mesmas oportunidades. é tentador fazer-se passar por alguém de quem todos gostam. que todos admiram. que muitos desejam. mas a pior coisa que pode acontecer é rejeitar-se a si próprio. é definir-se confins. é achar que não se tem direito a algumas coisas. é abandonar-se. é não gostar incondicionalmente de si. é não ousar ser quem se é. é não viver a sua vida. para mim é o maior drama. porque ao fazê-lo, indicamos a todos que não valemos a pena. que somos uma vergonha.

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