domingo, 17 de julho de 2016

uma

sem-número?
não acredito em segundas oportunidades. por princípio. as pessoas não mudam. só as podemos aceitar como são. ou não as aceitar. gastar energia a tentar moldá-las como nos apetecia que fossem é uma perda de tempo. e de energia. é mais uma questão de quando vão ter o mesmo comportamento e não uma questão de se o vão ter. não há se nenhum. tudo está claro. é sempre um atrapalhar no tempo e espaço, um regressar à casa de partida.

também não acredito por experiência. nas poucas vezes que dei uma segunda oportunidade, as pessoas acabaram por se comportar exatamente da mesma maneira. e por me decepcionar outra vez. ou mais exatamente foi estupidez e ingenuidade minha. esperar que as coisas fossem diferentes enquanto nada indicava que o pudessem ser. na verdade, não é que me decepcionaram de novo. fiquei decepcionada comigo por ter tido expetativas erradas. inadequadas. irrealistas. por não ter afrontado a realidade tal como se apresentava. por ter embelezado. por ter acreditado em algo enquanto tudo em volta de mim apontava para o contrário, gritava o contrário.

deveria haver limites de surdez e de cegueira. mas todos os ultrapassamos. cuidadosamente. delicadamente. regularmente. fingimos que são os outros que nos apanham desprevenidos. não percebemos como aconteceu. não nos lembramos que já tinha sobrevindo. recusamo-nos a acreditar que possa ocorrer outra vez. decidimos não prestar atenção à luz vermelha que pisca freneticamente na nossa cabeça. continuamos sempre a fazer a mesma coisa mas a ficar à espera que os resultados sejam diferentes. que as pessoas mudem, que não sejam iguais a si próprias. uma loucura. pura. a equação acaba por ser muito simples. ou aceitamos o que vemos ou mudamos de pessoa. em função do peso do que há para se aceitar. e para se perder. tudo o resto é simplesmente mentira.

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