sábado, 17 de setembro de 2016

i de inevitável

ver com olhos bem abertos
sou muito intuitiva. não tenho paciência para estudar detalhes. nem olhar meticulosamente para pormenores. chega-me adivinhar em que direção tudo vai prosseguir. com o passar do tempo aprendi a confiar, quase cegamente, nesta intuição. a ouvir-me com muita atenção. a reparar em todos os sinais que desviam do caminho. sobretudo porque todas as vezes que não o fiz, que decidi ser só racional, que achei que estava a exagerar com os meus pressentimentos negativos ou com as luzes vermelhas que se acendiam na minha cabeça, acabou por resultar em fracassos de tamanhos diversos. acompanhados pelo mesmo pensamento: então tinha razão de desconfiar... ou de questionar. 

costumo pedir opiniões às pessoas. também gosto. não porque não sei o que quero fazer. nem porque tenciono necessariamente segui-las. mas porque a ser intuitiva sou demasiado rápida nos meus pensamentos. julgamentos. procedimentos. e consciente do facto que sem ter analisado a situação, posso não ter visto elementos pertinentes. a esperar que não seja que os tenha omitido, mas, no fundo, nunca se sabe. a ouvir o que os outros pensam do assunto, tenho uma visão mais completa, mais exaustiva das coisas. e posso tranquilamente seguir o que me passa pela cabeça. já não é que não analisei as diferentes hipóteses.

mas aprendi também a notar mais uma coisa. quando me sinto completamente perdida, quando peço opiniões a mais, quando pareço não saber o que quero, significa que estou a tentar esforçar-me a fazer algo que não me corresponda de todo. que não concorde com a minha maneira de ser. é quase como se fosse uma chamada desesperada, a suplicar que alguém me dissesse que estou a errar completamente. que me empurrasse na direção certa. mas sou a única pessoa capaz de o fazer. às vezes leva mais tempo. às vezes menos. mas é um alivio enorme chegar a perceber que me tinha desalinhado demasiado de mim. e que bom descobrir-me de novo.

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