segunda-feira, 5 de setembro de 2016

quem queres ser?

be yourself; everyone else is already taken. oscar wilde

o que escolhes?
uma conhecida explicou-me ultimamente, de maneira muito entusiasmada, o funcionamento duma aplicação de encontros. quando lhe perguntei se realmente achava que as informações e fotos lá fornecidas eram verdadeiras e correspondiam aos homens em questão, respondeu que claro que não. e concluiu que era mesmo por isso que era um conceito muito fixe. e tão divertido. podia-se ser tudo o que se queria. acolhi essa constatação com alguma consternação. e incompreensão. completa. porque é que alguém quereria perder tempo e energia para ser alguém quem não era? nunca percebi essa ideia.

porque a realidade virtual parece poder conseguir um dia substituir a realidade real? houve muitas inovações que pareciam fazer um dia desaparecer produtos mais antigos, mas nunca aconteceu. o cinema não substituiu a televisão, a televisão não substituiu a radio, mesmo que se pensasse numa altura que pudesse ser assim. porque desta vez não se trataria de substituir um produto, mas muito mais. mesmo muito mais. a realidade doi. é um processo em que o nosso caminho está delineado por experiências negativas. por perdas. pelos nossos esforços de lutar contra elas. o mundo virtual livra-nos de tudo isso. não tem consequências. nem perigos. é bonito. fácil. não decepciona. tira frustrações. oferece inumeráveis hipóteses de recomeçar do zero. é tão bonito, porque não existe. é só uma simulação. uma cópia. um falso presente. uma fuga.

tenho sempre achado muito mais interessante ser quem se é. oferece mais variedade. mais opções. menos banalidade. torna mais livre. tenho o nariz refeito. uma cicatriz feia depois duma operação na infância. a tendência para ser demasiado independente e querer fazer tudo sozinha. e não vejo porque deveria querer fingir que não sou assim...

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