estou a ter dois flashbacks.
tenho 23 anos. na universidade tenho um amigo com má reputação entre as raparigas. ouço muitas dizer que lhes dá palmadinhas no rabo ou faz propostas explicitas e indecentes. que é pouco delicado, muito avaro e tenta tudo com todas. mas eu não sei nada disso. ou seja, tecnicamente sei que é a imagem que todas têm dele. mas ele nunca me trata desse modo. é sempre extremamente atencioso e cuidadoso, quer pagar por tudo, temos conversas profundas e nunca nem diz uma palavra nem faz um gesto a mais.
tenho 32 anos. outra universidade, outros estudos, outra vida. estou a tirar um curso de critical reading and writing que é obrigatório para todas as pessoas no primeiro ano de universidade nos estados unidos. e também pelas pessoas que lá estudam pela primeira vez, independentemente do ano de estudos. há quatorze americanos de dezanove anos e eu. na primeira aula temos de dizer o que achamos da pessoa sentada ao nosso lado e que não conhecemos. estou a usar óculos vermelho escuro. o rapaz sentado à minha esquerda diz que pareço ser alguém extremamente tranquilo e calmo. mas que é melhor não se meter comigo. eheheh...
quando as pessoas se queixam porque outras as tratam mal, não tenho pena delas. nenhuma. somos nós que decidimos como nos deixamos tratar. que estabelecemos as fronteiras do nosso tolerável. que dizemos quais são as nossas expetativas. que primeiro escolhemos respeitar a nós próprios e só depois às outras pessoas. que falamos quando não gostamos de algo. que valorizamos quem somos. tudo isto transparece nas nossas relações. não se abusa imediatamente duma pessoa. começa-se por tirar pequenas migalhas. com o consentimento da pessoa a quem se os tira. e depois pedaços. é nessa altura que o espanto e a incompreensão começa. como foi possível? como aconteceu?
aconteceu porque deixamos. e quando deixamos não há razão nenhuma para ficarmos surpreendidos com os tratamentos de merda que recebemos.
tenho 23 anos. na universidade tenho um amigo com má reputação entre as raparigas. ouço muitas dizer que lhes dá palmadinhas no rabo ou faz propostas explicitas e indecentes. que é pouco delicado, muito avaro e tenta tudo com todas. mas eu não sei nada disso. ou seja, tecnicamente sei que é a imagem que todas têm dele. mas ele nunca me trata desse modo. é sempre extremamente atencioso e cuidadoso, quer pagar por tudo, temos conversas profundas e nunca nem diz uma palavra nem faz um gesto a mais.
tenho 32 anos. outra universidade, outros estudos, outra vida. estou a tirar um curso de critical reading and writing que é obrigatório para todas as pessoas no primeiro ano de universidade nos estados unidos. e também pelas pessoas que lá estudam pela primeira vez, independentemente do ano de estudos. há quatorze americanos de dezanove anos e eu. na primeira aula temos de dizer o que achamos da pessoa sentada ao nosso lado e que não conhecemos. estou a usar óculos vermelho escuro. o rapaz sentado à minha esquerda diz que pareço ser alguém extremamente tranquilo e calmo. mas que é melhor não se meter comigo. eheheh...
quando as pessoas se queixam porque outras as tratam mal, não tenho pena delas. nenhuma. somos nós que decidimos como nos deixamos tratar. que estabelecemos as fronteiras do nosso tolerável. que dizemos quais são as nossas expetativas. que primeiro escolhemos respeitar a nós próprios e só depois às outras pessoas. que falamos quando não gostamos de algo. que valorizamos quem somos. tudo isto transparece nas nossas relações. não se abusa imediatamente duma pessoa. começa-se por tirar pequenas migalhas. com o consentimento da pessoa a quem se os tira. e depois pedaços. é nessa altura que o espanto e a incompreensão começa. como foi possível? como aconteceu?
aconteceu porque deixamos. e quando deixamos não há razão nenhuma para ficarmos surpreendidos com os tratamentos de merda que recebemos.
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