quinta-feira, 9 de março de 2017

falta de imaginação

chego ao carro. tenho dez minutos até ao meu encontro seguinte. já sei que vou chegar atrasada. paciência...

há um camião de entrega estacionado de uma tal maneira que nem dá para abrir as portas do lado do condutor. 

digo ao gajo que está a olhar para outro gajo a descarregar paletes enormes de não sei o quê, e que tem alguns papéis na mão, para ele mudar o carro de sítio. não pode. o carro não é dele. não tem nada a ver com isso. já nem me preocupo com fracassados. assim seja.

repito a mesma coisa ao gajo que está num tipo de elevador rampa. tem a má ideia de me perguntar o que eu faria se fosse um carro normal a bloquear-me a entrada. decido que deve mais provavelmente ser completamente fodido da cabeça, mas para ter a certeza pergunto-lhe se é o caso. quero também saber se depois de eu ter respondido a essa questão débil, ele quereria também saber a minha reação caso se tratasse dum autocarro ou dum avião. explico que não tenho tempo para punhetas mentais desse tipo. saliento outra vez a necessidade de ele se mexer .

responde que tem mais uma coisa para descarregar e que vão ser só dez segundos. mas a dizer isso está a arrumar um dos blocos no elevador rampa e algo me diz que ele está a gozar comigo. fito-o nos olhos e conto até dez. em voz alta. as coisas parecem continuar na mesma. pergunto-lhe que parte do que eu tinha dito ele não tinha percebido. acrescento alguns palavrões caso a capacidade mental do gajo seja tão baixa que ele não consiga perceber que eu estou com pressa.

o último bloco finalmente acaba posicionado no passeio. o colega supervisor que não tem competências suficientes para mudar um carro que não seja seu, diz para ele estacionar num outro lugar.

o gajo entra no camião. arranca. avança dois metros. só a distância suficiente para eu conseguir abrir a porta e entrar, nada mais. uma vez a porta fechada, faz marcha atrás e estaciona ainda mais perto do meu carro, quase a tocar o retrovisor esquerdo.

faço-lhe um sorriso enorme, mostro o dedo médio e tiro rapidamente o carro do lugar. escolhi não ter sensores de marcha atrás instalados, só para aprender a desenrascar-me em tais situações, então preciso de muito mais para ficar impressionada.

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