sábado, 16 de setembro de 2017

caminhos vastos

Caminho estreito, geralmente em terrenos plantados

"carreira", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/carreira [consultado em 16-09-2017].
carreira 
(latim [via] carraria, via para os carros)
substantivo feminino
1. caminho de carros
2. caminho estreito, geralmente em terrenos plantados
...
8. profissão ou percurso profissional
fonte: priberam

(latim *[via] carraria, via para carros)

substantivo feminino

1. Caminho de carro. = TRILHO

2. Caminho estreito, geralmente em terrenos plantados. = CARREIRO

3. Lugar por onde se pode correr.

4. Espaço de terreno percorrido (a correr).

5. Corrida.

6. Série de viagens periódicas regulares (em determinada direcção).

7. [Portugal]  Veículo colectivo de transporte público.

8. Profissão ou percurso profissional.

9. Curso, percurso.

"carreira", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/carreira [consultado em 16-09-2017].
o imprevisível
uma conhecida contou-me há pouco que detestava o trabalho que tinha, que lhe custava demais aguentar o stress que esse trabalho causava, que se sentia culpada por não dedicar tempo suficiente às filhas, que se arrependia por não ter tempo para si própria e que, além de tudo isso, era o marido que tinha feito maior carreira. e que ganhava mais. perguntei porque achava que o marido tinha tido mais sucesso profissional. acho fascinante como as pessoas definem e medem os êxitos que tudo depende dos valores que têm. porque ela não se tornou sócia antes dos quarenta anos. e por isso falhou.

tenho um respeito enorme pelas pessoas que têm carreiras verticais. que sobem escalões. que se tornam cada vez mais especialistas (ou pelo menos é o que se espera). que constroem percursos prestigiosos. que têm planos claros. cv's impressionantes pela visão, pela consistência, pela dedicação. que sempre souberam onde queriam ir. porque eu nunca poderia seguir esse caminho. acho piada que procurei muito tempo o que me interessava fazer na vida profissionalmente mas soube, sempre e desde o início, que não era feita para essas coisas. o vertical nunca me intrigou. nem interessou. nem inspirou. quando amigos começaram a trabalhar para empresas muito conhecidas a sair da universidade, eu preferia ter um trabalho que me permitisse viajar. e descobrir coisas. lembro-me de uma entrevista de trabalho que fiz numa empresa multinacional. tinha 23 ou 24 anos. perguntaram-me para que é que eu precisava dum salário, o que queria comprar na vida. respondi que ... nada. já tinha casa e carro. o resto... para dizer a verdade o que me interessou mais em todos os empregos que tive era se poderia tirar férias quando quisesse. não porque sou preguiçosa e não quero trabalhar mas porque a minha liberdade é um valor inquebrável. até a um certo ponto conta muito mais que todo o resto.

o prestígio nunca me interessou. não vejo que utilidade potencial poderia ter na minha vida. o que poderia acrescentar que ainda não tenho. nunca quis especializar-me em uma coisa só. acho a vida fascinante demais e quero poder explorar o que me interessa. não tenho a paciência necessária para me dedicar a uma coisa só. não sei fazer uma coisa só. rotinas são algo que tem o potencial de me matar. preciso de estimulações diversas, desafios e pressão para ser o meu melhor. as visões de que poderia alcançar em dez anos não é algo que me motiva que nem sei se vou viver tanto tempo. interessam-me o já e o agora. e preciso sentir-me livre. não no sentido de não ter responsabilidades ou compromissos, mas no sentido de ajustar o que me apetece, quando me apetece e como me apetece quando eu decidir que é necessário. o estreito e o previsível simplesmente não são a minha praia. gosto demais de me perder no horizonte. de não saber o que esconde. de me preparar para todas as eventualidades. de seguir as minhas regras. e de nunca me resumir ao que alcancei. ou ao que não alcancei.

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