domingo, 15 de outubro de 2017

(poder de) compras

everything in the world is about sex, except sex. sex is about power. oscar wilde

tudo tem preço?
eu sei que o que vou dizer agora vai ser controverso. que vai contra a opinião da maioria das pessoas. que vai ser um insulto para muitas. que vai ofender sensibilidades. que quase vai dar para o mundo acabar. e num clique. mas vou dizer na mesma. tudo isso não são razões suficientes para me fazer calar quando discordo de algo. mesmo quando as minhas palavras incomodam. e quase sempre incomodam. porque destroem a boa imagem que temos de nós próprios.

o caso harvey weinstein... acho hipocrisia. pura. e quádrupla. primeiro, porque, de certeza, houve mais mulheres que aproveitaram da situação para desenvolverem carreiras que as que se dizem ter sido assediadas sexualmente. e tanto quanto o resultado foi prolífico ou lucrativo, poucas foram as a quem isso incomodava. e mesmo as que foram traumatizadas calaram em troca de dinheiro. peço desculpa, mas a dignidade não tem preço. nem se compra nem se vende. segundo, porque durante os vinte anos que isso aconteceu todas as pessoas nos arredores dele deviam pertinentemente saber do que se tratava. mas escolhiam ficar surdas, cegas e mudas. foi mais fácil assim. e mais vantajoso. terceiro, a mulher dele devia também bem saber  mas só o deixou quando tudo se tornou público. que coincidência... quarto, acho engraçado ver em que sociedade vivemos. os homens envolvidos em numerosos casos de assedio sexual nunca negam que foderam metade do planeta e isso está bem. ninguém parece nem surpreendido nem escandalizado. ninguém vê a dupla moralidade. é assim mesmo que funciona o nosso mundo. poucas são as pessoas que têm a coragem para enfrentar a realidade, por muito feia que seja.

tenho um bom aspeto. costumo usar roupa demasiado curta e justa. mas felizmente ainda nunca fui assediada mental ou fisicamente no trabalho. ou fora dele. porquê? porque sei que a provocação deve ser compensada por muuuita atitude para não se tornar ameaçadora. porque nunca entro em conversas nem circunstâncias nem lugares que têm o potencial de serem ambíguos. ou causarem-me merdas. porque sempre soube onde estavam os meus limites e disse quando não gostava de algo. ou quando pessoas me faltavam ao respeito. sim, houve vezes em que me perguntava se isto não me ia custar o trabalho ou o cliente. mas dizia na mesma. porque sei que autorizar algo uma vez é autorizá-lo para sempre. porque evito pedir ajuda porque depois as pessoas sempre querem algo em troca.

acho fascinante como o poder corrompe as pessoas. e de ambos os lados da equação. e os que abusam dele e os que se deixam abusar. para fazer carreira...

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