segunda-feira, 12 de março de 2018

se ser adulto

tenho sempre tido este sentido agudo de responsabilidade que um dia vai ser a minha perdição... sou extremamente disciplinada. e não é preciso dizer-me o que deve ser feito. assumo sozinha. adoraria que não fosse assim, mas não se pode fazer muito contra a própria natureza... quando descubro qual é o caminho certo, não o posso não seguir. ou não o quero não seguir... quando há coisas que ninguém quer fazer, mas que precisam ser feitas, faço. sou uma chatice nesta matéria. não sei fingir que nada aconteceu e esquecer-me do assunto.

na mesma, quando tomo decisões, não dá para voltar atrás. não as sei suspender durante um tempo. ou aplicar só quando me dá jeito. ou não começar de imediato. ultimamente tenho feito muito trabalho de desenvolvimento pessoal, a chegar a conclusões espantosas. e revolucionárias. que me impõem um comportamento mais ponderado. e adulto. e a única coisa que posso fazer agora é aplicá-las... independentemente de quão inabituais são. de quanto se chocam com  quem sou. e de quanto trabalho pedem... sempre achei falta de profissionalismo quando as pessoas davam conselhos aos outros mas eram incapazes de os seguir sozinhas. o que pode valer um tal conselho?... nada...

madurar é muito pouco romântico... envolve moderação. reflexão. não dá para seguir pulsões. não dá para mandar à merda a humanidade inteira quando mais apetece. não dá para se vitimizar. não dá para queimar tudo só porque oferece uma sensação de paz absoluta durante uns segundos. não dá para esperar que as outras pessoas solucionem os nossos problemas. ou para ficar zangado com elas porque não o fazem. não dá para confrontar todos (é o meu maior arrependimento porque a confrontação direta é algo que adoro e que me anima tanto...). não dá para impor a sua razão. não dá para dar em raivas. não dá para fazer birras. não dá para se deleitar com as suas fraquezas.

é preciso constantemente olhar para si próprio e de fora. ter um nível desenvolvido de autoconsciência. fazer uma ligação entre as nossa ações e os  resultados. ter zero afeição para os nossos sentimentos negativos. não se investir neles. só procurar segurança em si próprio. destruir os padrões que não nos fazem avançar.

o problema é que a única alternativa seria continuar no mesmo estado inconsciente. a produzir as mesmas deceções. a enganar-se mais e mais todos os dias. a infligir-se perdas irrecuperáveis. a quebrar a nossa vida mais e mais.

então não há outra opção... é preciso examinar-se em detalhes e questionar a extensão do nosso impacto no que vivemos... e tirar conclusões...

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