domingo, 14 de julho de 2019

praia das vaidades

feérico é um ponto de vista...
normalmente sempre vou a praias com poucas pessoas e fora da época alta. assim posso tranquilamente concentrar-me a olhar para o mar. a refletir. a ponderar de que estou contente na minha vida. e de que não. a prever mudanças. a fazer planos. a recarregar as baterias a mergulhar o olhar no azul infinito. a repor os níveis de energia com cada inspiração da maresia. a preencher o corpo de partículas leves e exuberantes a entrarem pelos olhos e pelo nariz.

desta vez estou rodeada por tantas pessoas que decidi olhar para elas. uma experiência bastante assustadora, a julgar pelo que observei. percebo (ou se calhar não percebo) a tendência do momento, a de se ser orgulhoso de quem se é e de o que se tem, de não ter vergonha do próprio corpo. mas se calhar devia haver alguns limites para isso. um nível de autoconsciência obrigatório, sem o qual nunca se devia sair de casa. ou pelo menos ir à praia. 

as mamas soltas no ar a cair pela barriga, a celulite a ondular como um mar de couves-flores, os quilos dignos dum elefante, tudo isso nunca deveria ser exibido. e não dá nenhum motivo para se ficar orgulhoso. exibi-lo é como não pôr desodorizante ou não lavar os dentes de manhã. ofende sensibilidades. faz ficar com um mau cheiro visual. mata a estética do lugar. e do momento.

não estou a dizer que as pessoas deviam tapar-se e ficar em casa. entre o que vejo e a outra extremidade, há muita margem de manobra. mas se calhar um trabalho de questionamento sobre si próprio era uma boa ideia. a analisar os seus pontos fortes. e fracos. pelo menos fisicamente. e depois ajustar-se minimamente à realidade. surpreendentemente, pode ser que a tanga não seja para todas...

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