quarta-feira, 12 de junho de 2019

subversion même (la subversion m'aime)

sub·ver·são

substantivo feminino

1. Acto ou efeito de subverter.

2. Insubordinação; revolta; ruína; perversão; destruição.

"subversão", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/subvers%C3%A3o [consultado em 22-05-2019].
subversão
substantivo feminino
1, acto ou efeito de subverter
2. insubordinação, revolta, ruína, perversão, destruição
fonte: priberam

insubordinadamente esperado
durante quase toda a minha escolaridade e vida profissional foi muito difícil, pelo menos para mim, perceber porque é que eu precisava sempre voltar tudo de baixo para cima. fazer o oposto do que todos faziam. desobedecer ao que desse. tentar desobedecer ao que não desse. só pelo divertimento. pelo prazer. pelo princípio. fascinava-me ver como os outros seguiam as regras. faziam o que era pedido. aceitavam as coisas como elas eram. prosseguiam sem transtornos interiores. invejava-os. secretamente. dava muito para que a minha vida pudesse ser tão simples. tão unívoca. tão descomplicada. tão quieta. tão previsível. tão fácil.

porque a minha cabeça, e agora eu sei que é porque sou uma aprendente experimental (na altura teria dado muito para saber porque é que eu sempre precisava ser diferente... poupava-me uns sentimentos de alienação e de solidão, porque todos faziam e eu não conseguia... ou, mais exatamente, não queria... a urgência de não fazer como todos foi sempre mais forte do que tudo...), funciona de maneira completamente diferente. funciona com pontos de interrogação. com divergências. com questionamentos incessantes. com infinidades de possibilidades. quer se não testar todas, pelo menos explorá-las todas. vá a contracorrente. alimenta-se de incertezas. brinca com garantias. desafia prescrições. goza de abismos. não quer ser mandada por ninguém. ou por nada. precisa verificar sozinha. testar sozinha. errar sozinha. debater sozinha. corrigir sozinha. não acredita no que os outros vêm ou ouvem. quer ver e ouvir sozinha. palpar. gostar ou detestar. continuar ou parar. mas sempre a dançar ao seu próprio ritmo. escolhendo a música.

poucas coisas são tão importantes. tão inabdicáveis. tão básicas. tão fundamentais. ocasiões e oportunidades que nem tenciono resistir. a não conformação dá-me um gozo bestial. a pseudo-indignação e a inibição das pessoas dão-me um gozo bestial. no final das contas, não sei segundo que regras a maioria das pessoas faz a sua vida. mas a minha é regida pelo desgosto das aparências, da hipocrisia, dos egos complexados, da superficialidade, da mesquinhez, da cobardice. e a única maneira de as combater é salientar os absurdos que as ditam. então não tenho escolha. devo seguir o meu próprio caminho. e fazer de maneira completamente diferente do que todos. a minha sanidade mental depende disto. paciência...

Sem comentários:

Enviar um comentário